
Escolas deve estar preparadas para eventos climáticos
Rovena Rosa/Agência Brasil
Em 2024, 1,17 milhão de estudantes brasileiros ficaram sem aulas devido às emergências climáticas, como enchentes e seca.
Quando fenômenos extremos acontecem, eles destroem estruturas escolares, ampliam desigualdades, e representam uma barreira direta ao direito à educação e à proteção plena de crianças e adolescentes. A Educação Resiliente surge como uma estratégia essencial para enfrentar e transformar essa realidade.
Para Carol Campos, as mudanças climáticas vão nos obrigar a refundar o conceito de educação, por isso é fundamental colocar o aprendizado no centro desse debate: “a escola é o espaço de espírito crítico, de construção de sujeitos e de organização da rotina de uma comunidade. Quando ela se prepara para emergências climáticas, chama famílias, crianças e adolescentes para participar do debate. E, quando esses jovens entendem os riscos e o que está acontecendo com o planeta, mudam a forma de agir, e levam esse conhecimento para dentro de casa”, afirma Carol.
Resiliência climática na educação
Cerca de 77% das escolas não possuem planos de emergência para evacuação, e mais de 90% não realizam simulações de desastres.
As consequências das emergências climáticas impactam perspectivas futuras de renda, produtividade e superação da pobreza, ampliando vulnerabilidades já existentes.
Garantir o direito à educação exige respostas concretas e estruturadas para que escolas e redes de ensino estejam preparadas diante das emergências e, sobretudo, para que seus impactos sobre pessoas, comunidades e país sejam prevenidos ou, ao menos, mitigados.
Para contribuir com esse cenário foi lançado o documento: “Educação Resiliente: recomendações para fortalecer a resiliência dos sistemas educacionais brasileiros frente às crises climáticas”. O texto apresenta um conjunto de 25 recomendações para que escolas e sistemas de ensino estejam preparados para responder de forma coordenada, segura e equitativa às emergências.“A ideia do documento é justamente trazer algumas recomendações para a sociedade civil como um todo, para que a gente possa colocar a Educação Resiliente na pauta”, explica Carol Campos.
Segundo ela, não há como desassociar o que acontece nas escolas das transformações climáticas em curso.
“A gente já tem várias políticas interessantes nas áreas de clima, defesa civil e infraestrutura, mas ainda não conseguimos orientar as redes e as escolas sobre como agir. Quando a gente ensina isso, gera segurança nesses profissionais e, obviamente, nos alunos, e acaba havendo mais aprendizagem, que é o que mais precisamos”, completa.
Acolhimento e planos de contingência
Diante dessa realidade, a “Vozes Da Educação” também lançou, em parceria com Governo do Estado do Rio Grande do Sul e com o Instituto Alana, o Guia para Planos de Contingências Escolares para Eventos Climáticos.
Em maio de 2024, o estado enfrentou o maior desastre de sua história. Mais de 870 mil pessoas foram diretamente afetadas pelas fortes chuvas e mais de 580 mil ficaram desalojadas. Esses números evidenciam que a crise climática já faz parte da realidade gaúcha e exige respostas concretas.
O documento busca oferecer caminhos práticos, reflexões e estratégias para a construção de ambientes escolares seguros, acolhedores, sustentáveis e resilientes, com foco no bem-estar da comunidade escolar, na inclusão e na continuidade do processo de ensino-aprendizagem, mesmo em contextos adversos.
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