Band Jornalismo

COP30 reforça papel do Brasil e debate fundo bilionário para adaptação climática

Líderes em Belém discutem a medição da capacidade de adaptação climática, mas a falta de recursos pode tornar o sistema meramente simbólico

Da redação
DA REDAÇÃO

10/11/2025 • 11:46 • Atualizado em 10/11/2025 • 11:46

Sonia Blota
Redes Sociais:
COP30

COP30

Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Objetivo Global de Adaptação (OGA) é o foco de intensa discussão na Conferência das Partes (COP30), que acontece em Belém, no Pará. O OGA visa medir o grau de preparo de cada país para lidar com os impactos das mudanças climáticas. No entanto, a eficácia deste sistema crucial corre um sério risco: a falta de financiamento estável e previsível.

Compartilhar

Sem a garantia de recursos, há o temor de que o Objetivo Global de Adaptação se torne meramente simbólico, esvaziando o esforço de preparação global. Os países em desenvolvimento intensificam as cobranças no evento, enfatizando que a crise climática deve ser tratada em conjunto com a economia global.

Mobilização de recursos e prioridades da cúpula

Para garantir que as metas de adaptação e outros compromissos climáticos saiam do papel, o documento “Roteiro de Baku a Belém” busca mobilizar $1,3 trilhão de dólares por ano até 2035. A proposta inclui condições de empréstimo mais favoráveis, como juros baixos e aumento nas doações.

A Cúpula de Líderes, que precedeu a COP, já estabeleceu o foco das discussões: acelerar a transição energética, proteger as florestas tropicais e ampliar o financiamento climático.

O Brasil, como anfitrião, procura reforçar sua posição como elo entre o Norte e o Sul global, destacando duas grandes iniciativas:

Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis: Meta de quadruplicar o uso desses combustíveis até 2035.

Fundo Florestas Tropicais para Sempre: Mecanismo desenhado para remunerar nações que mantêm suas florestas preservadas.

Mercado global de carbono e a adesão da China

Outro ponto de relevância é o mercado de crédito de carbono. A União Europeia e a China anunciaram que vão aderir à coalizão liderada pelo Brasil para criar um mercado global. Este projeto, apresentado durante a Cúpula de Líderes, busca padronizar o preço do carbono e integrar os diversos sistemas de emissões já existentes.

A entrada da China, confirmada pelo presidente Lula, confere maior peso político à coalizão, que agora abrange oito países e o bloco europeu. A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, reforça que a precificação de carbono é uma ferramenta essencial tanto para a redução de emissões quanto para a geração de novas oportunidades econômicas. Atualmente, 17 economias do G20 já adotam alguma forma de precificação de carbono, e o Brasil, após aprovar seu mercado regulado, busca a liderança na integração global do sistema.

O Agronegócio na agenda climática

A COP30 dedica, pela primeira vez, uma arena exclusiva para o agronegócio brasileiro. O ex-ministro da Agricultura, professor Roberto Rodrigues, destaca que o evento é uma oportunidade para evidenciar a potência do setor e o que ele pode oferecer ao planeta. A arena visa demonstrar como o agro pode contribuir com soluções concretas, que abrangem desde a redução de emissões até a segurança alimentar global, enfatizando o papel da tecnologia tropical na produção com sustentabilidade e inovação.

Fique bem informado!

Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail

Escolha quais newsletters quer receber

Tópicos relacionados