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Corpo com mais músculos ajuda a manter o cérebro mais jovem, apontam cientistas

Estudo indica que a gordura profunda na barriga está ligada ao envelhecimento biológico do cérebro, aumentando riscos de doenças como Alzheimer

Da redação
DA REDAÇÃO

26/11/2025 • 11:51 • Atualizado em 26/11/2025 • 11:51

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Nova pesquisa aponta que pessoas com mais massa muscular e menos gordura abdominal profunda tendem a ter um cérebro com aparência biologicamente mais jovem. A conclusão é de um estudo a ser apresentado na reunião anual da Radiological Society of North America (RSNA), ligando a composição corporal à saúde cerebral.

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Em entrevista à revista científica Science Daily, o Dr. Cyrus Raji, professor associado de radiologia e neurologia da Mallinckrodt Institute of Radiology, na Washington University School of Medicine, em St. Louis, disse que "corpos mais saudáveis, com mais massa muscular e menos gordura oculta na barriga, têm mais probabilidade de ter cérebros mais saudáveis e jovens".

Ele ressalta que uma melhor saúde cerebral, por sua vez, reduz o risco de futuras doenças, como o Alzheimer.

Ligação entre músculo, gordura e idade cerebral

A pesquisa focou na gordura visceral, que é a gordura armazenada profundamente no abdômen, ao redor dos órgãos internos vitais. A idade cerebral, por sua vez, é uma estimativa de quão jovem o cérebro parece biologicamente, com base em sua estrutura observada por meio de ressonância magnética (MRI).

"Embora seja comumente sabido que o envelhecimento cronológico se traduz em perda de massa muscular e aumento da gordura abdominal oculta, este trabalho mostra que essas medidas de saúde se relacionam com o próprio envelhecimento do cérebro", explicou o Dr. Raji.

Ele destacou que a quantidade de músculo e de gordura no corpo são "refletores chave da saúde cerebral", conforme rastreado pela idade cerebral.

Como o estudo chegou à conclusão

O estudo analisou 1.164 adultos saudáveis (52% mulheres), com uma idade cronológica média de 55,17 anos, em quatro centros de pesquisa. Foi utilizada a ressonância magnética de corpo inteiro (whole-body MRI) para medir a massa muscular, a gordura visceral e a gordura subcutânea (abaixo da pele).

Um algoritmo de inteligência artificial (IA) mediu o volume total de músculo normalizado, a gordura visceral e a gordura subcutânea, prevendo a idade cerebral.

Os dados revelaram que indivíduos com uma relação maior entre gordura visceral e músculo apresentavam uma idade cerebral prevista mais alta. A gordura subcutânea, contudo, não mostrou uma associação significativa com a aparência de envelhecimento do cérebro.

Em resumo, "mais músculo e uma proporção menor de gordura visceral para músculo foram ligados a um cérebro mais jovem", enquanto a gordura sob a pele não teve relação com o envelhecimento cerebral, conforme o Dr. Raji.

Implicações para tratamentos futuros

O pesquisador afirma que focar no aumento de músculo e na redução de gordura visceral são objetivos "realistas e acionáveis". Ele sugere que a ressonância magnética de corpo inteiro e as estimativas de idade cerebral baseadas em IA podem oferecer parâmetros claros para programas de intervenção.

A pesquisa também lança luz sobre o uso de medicamentos para perda de peso, como os com peptídeo 1 semelhante ao glucagon (GLP-1), incluindo o Ozempic. Estes são eficazes na redução de gordura, mas podem levar à perda de massa muscular.

Os achados, segundo o Dr. Raji, podem guiar o desenvolvimento de terapias de "próxima geração" que visem reduzir mais a gordura visceral do que a subcutânea, protegendo, ao mesmo tempo, a massa muscular.

"Perder gordura - especialmente a visceral - enquanto se preserva o volume muscular traria o melhor benefício para o envelhecimento e a saúde do cérebro", concluiu, indicando que o estudo pode informar tratamentos futuros para determinar a dosagem ideal de medicamentos como os GLP-1 para os melhores resultados em saúde corporal e cerebral.

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