
Artemis 2
Reuters
Quatro astronautas cruzam o espaço profundo neste momento a bordo da cápsula Orion, na missão Artemis II da NASA, o primeiro voo humano à órbita lunar em 54 anos. Enquanto o mundo acompanha o lançamento histórico desde o dia 1º de abril, os dados do Google Trends revelam que, o Brasil, um país sem astronautas em missão e sem foguete capaz de alcançar a órbita, figura no top 3 mundial de interesse pelo tema "corrida espacial" nos últimos cinco anos.
Não são apenas pesquisadores ou especialistas que movem esses números. São pessoas comuns que utilizam a plataforma de busca no celular, no ônibus, na pausa do almoço. Nos últimos cinco anos, somente os Estados Unidos e o Uruguai superaram o Brasil em buscas pelo termo.

O mesmo levantamento mostra que, quando o recorte é a "Missão Artemis II" especificamente, nesta semana o Brasil despencou para a 37ª posição no ranking global, com apenas 7% do interesse registrado nos Estados Unidos e menos de um quinto do da Colômbia, que lidera a América do Sul no interesse pela missão. As perguntas mais frequentes dos brasileiros no Google confirmam esse descompasso: "Tem brasileiros na Nasa?", "A Artemis II vai passar pelo Brasil?", "O Brasil tem foguete?", "Por que o Brasil foi expulso da Estação Espacial Internacional?".
Pode-se dizer que o brasileiro percebe a disputa macro, a tensão geopolítica em torno da Lua, a corrida entre potências, mas não se enxerga dentro dela. A missão em si parece distante, enquanto a guerra pelo espaço, não.
O Brasil tem a base de lançamento mais bem localizada do mundo. Alcântara, no Maranhão, fica a apenas 2,3 graus ao sul do Equador — posição que permite aproveitar ao máximo a rotação da Terra para impulsionar foguetes, representando economia de até 30% de combustível por lançamento em comparação a Cape Canaveral. É uma vantagem competitiva bilionária que o Brasil ainda não transformou em política de Estado consistente.
Enquanto Cape Canaveral e Kourou registram dezenas de lançamentos por ano, com grandes players privados disputando janelas de lançamento, Alcântara ainda opera em escala reduzida. O setor projeta potencial de US$ 10 bilhões anuais para a base até 2040, mas o caminho entre o potencial e a realização segue sendo, sobretudo, político.
Para Luisa Santos, engenheira mecânica e mestranda em computação aplicada no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) com foco em automação de missões de espaço profundo, a atenção brasileira ao tema faz sentido histórico e estratégico. "Retornar à Lua depois de 50 anos é uma história que estamos fazendo. Teve muito esforço científico, tecnológico e muito budget aplicado para tornar a nossa exploração espacial sustentável e conseguir morar, quem sabe, no futuro, na Lua", afirmou em entrevista à BandNews TV.
O Brasil entrou nos Acordos Artemis em 2021 (hoje com 61 países signatários) e tem dois projetos concretos negociados com a NASA para missões futuras do programa: o nanossatélite SelenITA, desenvolvido pelo ITA em parceria com o INPE para estudar a geofísica do Polo Sul lunar e o projeto Space Farming, conduzido pela Embrapa, voltado ao cultivo de alimentos em bases lunares. "O Brasil é reconhecido internacionalmente pela pesquisa agrícola, e para nós tem sido muito gratificante poder contribuir no programa Artemis", disse Alessandra Favero, coordenadora do projeto Space Farming.
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