
COP30 acontece em novembro, em Belém
Rodrigo Pinheiro/Ag.Pará
Com a aproximação da COP 30, que será realizada em Belém e visa transformar o Brasil em uma vitrine mundial em causas ambientais e desenvolvimento sustentável, a ausência do Estado tem permitido que o crime organizado avance sobre a Amazônia, dificultando a credibilidade do país frente à comunidade internacional.
Um relatório recente de observadores internacionais revela uma realidade alarmante: mais de 600 municípios em toda a Amazônia Legal, que abrange Brasil, Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, estão sob o terror de facções criminosas e grupos armados. Esse número representa quase 70% da área total da região.
Na porção brasileira, a facção que detém a maior presença na Amazônia é o Comando Vermelho. A região do rio Solimões é apontada como a segunda maior rota de escoamento de drogas do país. A droga comprada na região por cerca de US$ 1.000 é vendida na Europa por cerca de US$ 60.000, ou seja, 60 vezes mais. Devido a essa alta lucratividade, o crime organizado transformou a Amazônia em um centro logístico para suas operações.
Atividades ilegais e ausência do Estado na região
Semelhante ao que ocorre em outras regiões do Brasil, o financiamento dessas facções não se limita apenas ao tráfico de drogas. Os grupos criminosos estão envolvidos em uma vasta rede de atividades ilegais:
- Exploração sexual
- Grilagem de terra, incluindo terras indígenas
- Exploração ilegal de madeira e minérios
- Tráfico de animais
- Pesca predatória
- Tráfico de armas
O crime organizado é atualmente classificado como um dos principais inimigos da Amazônia. A ausência de um Estado efetivo na área é um fator crítico. A região do Alto Solimões, por exemplo, que possui uma área maior que países europeus como Grécia e Bulgária, é policiada por apenas 150 agentes da Polícia Militar. Esses agentes trabalham com munição e combustível insuficientes para combater traficantes que estão fortemente armados e equipados com tecnologia.
Além disso, relatos de moradores indicam uma presença quase inexistente das polícias Federal e Civil na região. Enquanto o crime organizado causa destruição ambiental sem grandes resistências das autoridades, a presença econômica na região, que poderia promover o progresso sustentável, é barrada pela atuação de algumas ONGs e ambientalistas.
Preocupação com a COP e a análise de Aldo Rebelo
A questão do crime organizado não pode ser ignorada no debate da maior cúpula climática do planeta. A preocupação com a imagem do Brasil na COP 30, que tem início em 10 de novembro, é evidente. O ex-ministro da Defesa e colunista do Jornal da Band, Aldo Rebelo, que é um profundo conhecedor da região, discute a situação e os impactos na percepção internacional.


