Resumo
Moradores de condomínio de alto padrão em Camaçari, região metropolitana de Salvador, estão sem internet após criminosos cortarem fios e impedirem reparos por empresas oficiais, exigindo o serviço da “CV-net”.
Ameaças de traficantes desde dezembro forçaram a suspensão do atendimento técnico e geraram insegurança entre moradores e funcionários, que relatam medo e perda de liberdade de escolha da operadora de internet.
Especialistas apontam que o controle de serviços essenciais pelo crime organizado se tornou fonte de renda mais lucrativa que o tráfico, enquanto a Secretaria de Segurança Pública da Bahia não se manifestou sobre o caso.
Moradores de um condomínio de alto padrão, próximo a Salvador, estão sem internet depois que criminosos cortaram os fios e impediram que as empresas oficiais fizessem o reparo. Eles querem que o serviço seja prestado pela “CV-net”.
O atendimento técnico foi negado pela falta de segurança pública na região, uma área de condomínios de alto padrão, em Camaçari, na região metropolitana de Salvador. Em um áudio enviado a moradores, um técnico relata que, desde dezembro, traficantes tem ameaçado às equipes da empresa de internet que trabalham no local.
“Estou até cobrando um posicionamento aqui do pessoal sobre isso, se eles vão recuperar, vão tentar recuperar ou se vão deixar de fato desativar a rede porque a gente não consegue ter acesso. Eu não sei como vai ser aqui para frente a questão de manutenção”, desabafou.
Amedrontar funcionários costuma ser o primeiro passo de uma tática que tem sido usada por facções: expulsar o serviço regular para impor a cobrança ilegal por internet, por exemplo.
“Eu não posso ter livre arbítrio de escolher a operadora e o meu receio é que futuramente eu não possa escolher mais nada. Que se eu não tenho segurança, se tem alguém mandando que eu escolha tal situação, eu tenho que ser refém desse tipo de situação”, relatou uma moradora que optou por não se identificar.
Segundo Luiz Requião, especialista em segurança pública, o controle dos serviços essenciais tem sido, para o crime organizado, uma fonte de renda mais lucrativa do que o tráfico de drogas.
“Todos esses serviços que são essenciais a determinada população, essas organizações criminosas têm cada vez mais tomado conta, né? Então, toda essa cadeia produtiva, ainda que ilícita, tem sido cada vez mais ocupada por essas organizações criminosas.”, explicou Luiz
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia não quis falar sobre o assunto.
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