
Reprodução/Instagram/@therealjimcaviezel
A pergunta “Por que as cadeias de cinemas nacionais não querem exibir Dark Horse?” é uma das mais feitas no Google pelos brasileiros nesta segunda-feira (22), após revelações da coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo.
Segundo a apuração, os exibidores nacionais demonstram forte resistência em abrir suas salas para a cinebiografia de Jair Bolsonaro por razões que misturam temor comercial e segurança operacional.
No entanto, documentos oficiais e investigações em curso revelam que o imbróglio possui camadas técnico-burocráticas e financeiras ainda mais profundas.
O fator comercial e salas vazias
A principal justificativa das redes de cinema para evitar o longa, conforme relatado por Lauro Jardim, é o risco de baixa bilheteria. O mercado utiliza como parâmetro o documentário "A Colisão dos Destinos", de temática semelhante, que estreou recentemente com "salas vazias" em diversos pontos do país e enfrentou grande dificuldade de inserção no circuito comercial, ficando de fora do eixo Rio-São Paulo.
Além do aspecto financeiro, os exibidores temem que a exibição de uma obra tão polarizada provoque confrontos entre grupos políticos nas portas dos cinemas, o que poderia afastar o público de outros filmes e gerar custos extras com segurança.
Barreiras na Ancine e irregularidades legais
Para além da vontade dos donos de cinemas, existem impedimentos legais concretos. A Agência Nacional do Cinema (Ancine) confirmou oficialmente que, até o momento, não consta em sua base de dados nenhum pedido de registro para o lançamento comercial da obra no Brasil. Sem o Certificado de Registro de Título (CRT), a exibição comercial é proibida por lei.
Somado a isso, a Ancine instaurou um procedimento administrativo para investigar a Go Up Entertainment, produtora do filme, por ter realizado filmagens com equipe estrangeira no Brasil de forma irregular, sem a comunicação prévia obrigatória ao órgão regulador.
Se as infrações forem confirmadas, a produtora pode ser multada em até R$ 100 mil. Outro ponto que chama a atenção da agência é o fato de a Go Up nunca ter lançado nenhum outro filme anteriormente, o que é considerado uma trajetória atípica para o mercado.
A polêmica do financiamento e o elo com Daniel Vorcaro
O orçamento de "Dark Horse" é o maior da história do cinema nacional, estimado entre R$ 75 milhões e R$ 134 milhões. Esse montante está no centro de uma investigação da Polícia Federal após o vazamento de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro cobra repasses financeiros do banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, que está preso por suspeita de fraudes bilionárias.
O dinheiro teria sido enviado para o exterior através de uma empresa intermediária e depositado no fundo Havengate, nos Estados Unidos, que é administrado pelo advogado de imigração de Eduardo Bolsonaro. A PF apura se parte desses recursos foi utilizada para custear a permanência de Eduardo em solo americano. A produtora e o deputado Mário Frias negam ter recebido dinheiro direto de Vorcaro, embora a proprietária da Go Up, Karina Ferreira da Gama, tenha admitido em entrevista que 90% da verba do filme veio do fundo ligado ao banqueiro.
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