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De Al-Qaeda a PCC e CV: como os EUA ampliaram o conceito de terrorismo

O combate às drogas foi uma das principais bandeiras da campanha presidencial de Donald Trump

Da redação
DA REDAÇÃO

29/05/2026 • 14:43 • Atualizado em 29/05/2026 • 14:43

Sonia Blota
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PCC e Comando Vermelho

PCC e Comando Vermelho

Reprodução/Brasil Urgente

O Brasil classifica o terrorismo com motivações ligadas à xenofobia, ao preconceito religioso e à intolerância ideológica. Por isso, facções criminosas como PCC e CV sempre foram tratadas mais como organizações voltadas a crimes com motivação econômica, e não oficialmente classificadas como terroristas pelo governo brasileiro.

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Já para os Estados Unidos, a classificação não fica restrita apenas a grupos que praticam atentados terroristas clássicos. Ela também pode atingir organizações que ameacem a segurança de cidadãos americanos ou os interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Historicamente, os EUA classificavam como terroristas organizações que praticavam atos reconhecidos mundialmente como terrorismo, como a Al-Qaeda, fundada por Osama Bin Laden, responsável pelos ataques de 11 de setembro de 2001, quando as Torres Gêmeas foram derrubadas.

Também estão nessa lista o Estado Islâmico, que surgiu no Iraque e se espalhou pela Síria, promovendo atentados no Oriente Médio e na Europa — incluindo a França, nos ataques de 13 de novembro de 2015, como o massacre do Bataclan.

Outro grupo classificado como terrorista pelos americanos é o Talibã, surgido no Afeganistão e responsável por diversos atentados naquele país, além do Paquistão e da região.

O Hamas e o Hezbollah — sobre os quais tanto falamos atualmente por causa dos conflitos no Oriente Médio — também fazem parte da lista. Assim como o Boko Haram, criado na Nigéria e ligado a massacres de civis, ataques contra cristãos, atentados em igrejas e ações armadas extremamente violentas.

Há ainda dissidências das FARC, antigo grupo guerrilheiro colombiano envolvido em sequestros, extorsão e ataques contra civis.

Porém, nos últimos anos, a política americana mudou. Washington passou a incluir facções criminosas transnacionais e cartéis do narcotráfico na categoria de organizações terroristas.

O combate às drogas foi uma das principais bandeiras da campanha presidencial de Donald Trump. Foi assim que vários cartéis mexicanos passaram a integrar essa lista, como o Cartel de Sinaloa — do famoso traficante El Chapo — e o Cartel Jalisco Nueva Generación, uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do México.

Também foi incluída a MS-13, de El Salvador, facção conhecida pela extrema violência e que tem raízes em comunidades de imigrantes salvadorenhos nos Estados Unidos.

Na Venezuela, entrou para a lista americana o Tren de Aragua, organização ligada ao tráfico de drogas, tráfico humano, sequestros e extorsão. Inclusive, uma das acusações utilizadas pelos Estados Unidos contra o ditador venezuelano Nicolás Maduro envolve justamente o narcotráfico.

E agora passam a integrar essa lista o Primeiro Comando da Capital (PCC), criado nos presídios paulistas, e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro.

Dois grupos que se transformaram em verdadeiras multinacionais do crime, com milhares de integrantes e atuação em pelo menos 28 países.

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