Band Jornalismo

Deputados pedem cassação de Fabiana Bolsonaro por blackface na Alesp

Parlamentar do PL utilizou tinta no rosto e braços durante discurso contra a deputada Erika Hilton; PSOL acionou Conselho de Ética e Polícia Civil

Da redação
DA REDAÇÃO

19/03/2026 • 15:57 • Atualizado em 19/03/2026 • 16:00

Deputada do PL faz blackface na Alesp para criticar Erika Hilton

Deputada do PL faz blackface na Alesp para criticar Erika Hilton

Reprodução/Alesp

Um grupo de deputados estaduais de São Paulo protocolou, no Conselho de Ética da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), um pedido de cassação do mandato da deputada Fabiana Bolsonaro (PL). A parlamentar é acusada de praticar blackface e proferir discursos transfóbicos durante sessão no plenário na tarde desta quarta-feira (18).

Compartilhar

O episódio ocorreu enquanto a deputada criticava, na tribuna, a eleição de Erika Hilton (PSOL-SP) para a presidência da Comissão da Mulher na Câmara dos Deputados. Durante sua fala, Fabiana aplicou tinta marrom no rosto e nos braços. Ao realizar o ato, a parlamentar questionou se poderia presidir comissões sobre igualdade racial apenas por estar "pintada de negra", comparando a situação à identidade de gênero da deputada Erika Hilton, que é uma mulher trans.

Ofensiva jurídica e denúncias

A conduta gerou uma série de reações imediatas na esfera jurídica e policial. A deputada estadual Mônica Seixas e a vereadora Luana Alves, ambas do PSOL, registraram um boletim de ocorrência na Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi). Mônica Seixas afirmou em suas redes sociais que "racismo e transfobia são crimes" e exigiu a responsabilização imediata da colega de parlamento.

Além da representação no Conselho de Ética e do boletim de ocorrência, Fabiana Bolsonaro foi denunciada ao Ministério Público de São Paulo por crime de racismo. A iniciativa partiu da deputada estadual Ediane Maria (PSOL). O conjunto de ações busca punir o que os parlamentares classificam como uma quebra de decoro e violação de direitos fundamentais.

Defesa e justificativa da parlamentar

Em nota pública e manifestações em redes sociais, Fabiana Bolsonaro negou a prática de blackface e classificou as acusações como uma "mentira deliberada" para cercear o debate. Segundo a deputada, sua atitude no plenário foi uma analogia para sustentar o argumento de que identidades autodeclaradas não substituiriam, em sua visão, características biológicas.

A parlamentar do PL defendeu que, assim como pintar a pele não a torna negra, pessoas que não nasceram mulheres biológicas não poderiam representar com "legitimidade" as dores e o histórico feminino. "A analogia foi clara, só não entendeu quem não quis", escreveu Fabiana, reforçando que mantém sua posição sobre a representatividade na Comissão da Mulher.

Com informações da Agência Brasil