Os terremotos de magnitude 7,5 e 7,2 que atingiram a Venezuela deixaram ao menos 188 mortos e 1.520 feridos, segundo balanço da presidente interina, Delcy Rodríguez, que declarou estado de emergência. Em entrevista ao BandNews TV, a dentista Maylui Belisário afirmou que a dimensão do desastre é maior do que se vê nas redes sociais e critiou a falta de assistência imediata de órgãos internacionais.
"A proporção é muito maior do que a gente consegue ver através das redes sociais, dos reportes, porque a maioria dos reportes são de pessoas civis. Passar disso para uma estatística oficial vai ser muito difícil, mas eu acredito que esses reportes que falam que vai ser mais de 3.000 pessoas, com certeza vai. Esse número vai subir, vai elevar muito porque não tem recursos. Critico mais uma vez aqui a ONU que mais uma vez não tá ajudando", conclui.
O epicentro do sismo superficial registrado a 13,2 quilômetros de profundidade pelo Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) ocorreu em Montalbán, no estado de Carabobo. O sistema PAGER do USGS estima que o saldo potencial de fatalidades pode alcançar a faixa entre 10 mil e 100 mil mortes, além de prever graves perdas econômicas.
Colapso estrutural e triagem de emergência
Na cidade de Los Teques, localizada a cerca de 40 quilômetros do epicentro, os danos estruturais em hospitais forçaram a transferência de atendimentos para áreas externas. Maylui Belisário relata o cenário de contingência na infraestrutura de saúde:
"Tem hospitais que inclusive tiveram muitos danos estruturais e está tendo contingência no estacionamento do hospital para conseguir fazer atendimento."
O atendimento clínico também absorve demandas decorrentes do estresse pós-traumático, como dores faciais e odontológicas agudas. Segundo a dentista, o setor privado tem sido utilizado para reduzir a sobrecarga dos centros públicos:
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"Teve alguns pacientes, por exemplo, com ferimentos leves que já atendimos ao nível privado em consultório para tentar aliviar um pouco a sobrecarga que estão tendo os centros públicos."
Crise de abastecimento e resgates paralisados
Ainda segundo a médica, o bloqueio nas vias de comunicação com o estado de La Guaira compromete o fluxo de provisões essenciais, como alimentos, medicamentos e combustível. Além disso, a escassez de recursos técnicos impede o resgate de sobreviventes em estruturas colapsadas em cidades populosas e na capital, Caracas.
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"Ainda tem lugares aonde os prédios caíram e tem pessoas vivas dentro que não estão conseguindo ser resgatadas porque não tem os recursos básicos. Tem lugares que estão pedindo vouchers, pás, porque não tem nem o básico para dar o atendimento nas vítimas", aponta Belisário.
Subnotificação de dados oficiais
A destruição das redes de energia e internet logo após os tremores limitou a capacidade de centralização das informações. A entrevistada, que estava em um parque a céu aberto no momento do sismo, relata que estimou o tremor em "pelo menos um sete na escala" antes de a região ficar sem comunicação.
A disparidade entre as estatísticas oficiais e o cenário em campo indica que o número de vítimas fatais deve ultrapassar a marca inicial divulgada pelo governo.
"A proporção é muito maior do que a gente consegue ver através das redes sociais, dos reportes, porque a maioria dos reportes são de pessoas civis. Passar disso para uma estatística oficial vai ser muito difícil, mas eu acredito que esses reportes que falam que vai ser mais de 3.000 pessoas, com certeza vai. Esse número vai subir, vai elevar muito porque não tem recursos", conclui.
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