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Dia de luto e acusação do Brasil em Israel

Por Redação
REDAÇÃO

29/04/2025 • 16:31 • Atualizado em 29/04/2025 • 16:31

Moises Rabinovici
Dia da Memória em Israel

Dia da Memória em Israel

REUTERS/Nir Elias

Israel começou a celebrar o Dia da Memória pelos seus soldados mortos, nesta terça-feira, dia em que o Brasil pediu à Corte Internacional de Justiça (CIJ), em Haia, na Holanda, que declare ilegal o bloqueio de ajuda humanitária em Gaza, já com 50 dias.

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Na CIJ, onde Israel é acusado de genocídio, o embaixador brasileiro Marcelo Viegas declarou que, “como potência ocupante, Israel é obrigado a facilitar e viabilizar as operações da ONU nos territórios palestinos ocupados. Não pode interferir ou obstruir o exercício deste mandato, que foi estabelecido pela Assembleia Geral. ”

Uma sirene de um minuto paralisou Israel hoje, às 20 horas (14 horas no Brasil), marcando o início do Dia da Memória, e uma chama foi acesa no Muro das Lamentações. Uma sirene de dois minutos, na quarta-feira, às 11h (5h no Brasil), abrirá os cemitérios à visitação. À noite, sem transição, os israelenses passam ao Dia da Independência, que completa 77 anos.

O Dia da Memória lembra 25.420 pessoas mortas desde 1860, quando a contagem começou a ser feita. Nas guerras em Gaza e no Líbano, no último ano, morreram 319 soldados e outros 61 feridos que estavam hospitalizados. A população em Israel chegou a 10,1 milhões, das quais 2,1 milhões são muçulmanos, árabes drusos e cristãos.

Num editorial, hoje, o jornal Jerusalem Post lamenta que, “no exato momento em que Israel homenageia aqueles que deram tudo, a nação está mais uma vez sendo arrastada para o tribunal da opinião internacional (...) Israel está sendo difamado por se recusar a permitir a entrada de suprimentos irrestritos no território controlado pelo Hamas – uma organização terrorista que continua a manter civis israelenses como reféns em túneis subterrâneos, em flagrante desafio a todas as normas da humanidade e da lei”. E conclui: “Israel não está cometendo genocídio; está lutando – com restrição que custou caro – pela sobrevivência contra um inimigo que coloca palestinos inocentes em perigo de forma deliberada”.

As negociações para o cessar-fogo em Gaza, onde já morreram 52 mil pessoas, segundo o Ministério da Saúde do Hamas, estão sob impasse. O Hamas exige o fim da guerra e a retirada israelense de Gaza para trocar 24 reféns vivos por prisioneiros palestinos. Israel quer manter o controle em Gaza, não retira suas tropas, exige que os combatentes entreguem suas armas e que a liderança do Hamas parta para o exílio.

O presidente Donald Trump quer romper o impasse nas negociações para o cessar-fogo antes de visitar a Arábia Saudita, na primeira quinzena de maio. E pode surpreender seu amigo Benjamin Netanyahu com uma estratégia inesperada, como aconteceu com as negociações com o Irã, que Israel pretendia bombardear com ajuda dos Estados Unidos para destruir suas usinas nucleares.

Os dias da Memória e da Independência ocorrem com Israel numa profunda crise interna. Netanyahu é réu em três processos de corrupção, alguns de seus mais altos assessores estão envolvidos no escândalo Catargate -- o dinheiro do Catar para o Hamas e pelo trabalho de mudar a imagem do país para a Copa de 2022; o ultimato da extrema direita pela continuação da guerra em Gaza, ou o fim da coligação governamental; e a briga pública entre o primeiro-ministro e seu espião-chefe, Ronen Bar.

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