
Dick Cheney
REUTERS/Larry Downing/File Photo
O ex-vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, morreu aos 84 anos, informou a família do político por meio de comunicado nesta terça-feira (4).
Segundo a família, Cheney morreu na noite de segunda-feira devido a complicações de uma pneumonia e doença cardíaca e vascular.
“Dick Cheney foi um homem grandioso e bom que ensinou seus filhos e netos a amar nosso país e a viver vidas de coragem, honra, amor, bondade e pesca com mosca”, disse a família do político em comunicado.
Dick Cheney serviu como o 46º vice-presidente dos Estados Unidos no governo de George W. Bush, de 2001 a 2009.
Nascido em 30 de janeiro de 1941, no Nebraska. Antes de sua vice-presidência, ele ocupou cargos de destaque, como chefe de gabinete da Casa Branca durante o governo Gerald Ford (1975-1977); representante do Wyoming na Câmara dos Representantes (1979-1989).
Além disso, foi secretário de Defesa no governo de George W. H. Bush (1989-1993), supervisionando a Guerra do Golfo Pérsico (Operação Tempestade no Deserto). Ele é considerado um dos vice-presidentes mais poderosos da história dos Estados Unidos.
Guerra ao terror e a invasão do Iraque
Sua vice-presidência foi também definida pela era do terrorismo e pelo que ficou conhecido como "guerra ao terror".
Cheney defendeu de forma consistente o uso de ferramentas extraordinárias de vigilância, detenção e interrogatório em resposta aos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001.
No entanto, tribunais derrubaram seus esforços para ampliar poderes presidenciais e autorizar tratamentos duros a suspeitos de terrorismo, entre eles, afogamento simulado (waterboarding) e privação de sono.
Nos meses após os ataques de 2001, Cheney atuou muitas vezes de locais não revelados, separado de Bush para garantir que um dos dois sobreviveria a eventual ataque sucessivo à liderança do país.
Linha-dura e cada vez mais isolado na administração Bush, Cheney alegou vínculos, nunca comprovados, entre os ataques de 2001 contra os EUA e o Iraque pré-guerra, se tornou um forte defensor da invasão ao país do Oriente Médio em 2003.
Ele e esteve entre os mais contundentes membros do governo a alertar sobre o perigo do suposto arsenal iraquiano de armas de destruição em massa. Nenhuma dessas armas foi encontrada.
Cheney também alertava sobre o perigo do suposto arsenal iraquiano de armas de destruição em massa, que nunca foi encontrado. Também disse que tropas americanas seriam recebidas como libertadoras no Iraque e declarou que a insurgência iraquiana estava em sua derrocada em maio de 2005, quando 1.661 militares americanos foram mortos.
O conflito acabou se estendendo por anos, mas Cheney insistiu, anos depois, que a invasão foi a decisão correta com base nas informações disponíveis à época e pela consequente remoção do então presidente iraquiano Saddam Hussein do poder.
Décadas na Casa Branca
Cheney foi para Washington em 1969 como estagiário do Congresso e ocupou vários cargos na Casa Branca durante os governos republicanos de Richard Nixon e Gerald Ford, incluindo a chefia de gabinete, antes de se tornar ministro.
Sua esposa, Lynne, tornou-se uma voz conservadora em temas culturais. Liz, a filha mais velha, foi eleita para o Congresso em 2016, após construir uma reputação de defender posições de política externa intervencionistas semelhantes às do pai.
Ela se tornou uma influente parlamentar republicana, mas perdeu sua cadeira após se opor a Donald Trump e votar por seu impeachment após o ataque de 6 de janeiro de 2021 ao Capitólio. Seu pai, que concordou com ela, disse que votaria na candidata democrata Kamala Harris em 2024.
"Em toda a história de 248 anos da nossa nação, nunca houve alguém que representasse uma ameaça maior à nossa república do que Donald Trump", disse o homem que por muito tempo fora inimigo da esquerda.
Apesar do perfil conservador, Cheney defendeu pautas progressistas, como o apoio ao relacionamento entre pessoas do mesmo sexo, o que o colocou em desacordo com a tentativa do governo Bush de aprovar uma emenda constitucional contra o casamento gay.
Sua vida controversa continuou a persegui-lo mesmo após deixar o governo Bush. Ele foi tema de um filme biográfico crítico em 2018 chamado Vice, estrelado por Christian Bale, que ganhou 18 kg e raspou a cabeça para imitar a barriguinha e a calvície do ex-vice-presidente.
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