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Do câncer ao Ironman: Triatleta Gustavo Teixeira relata rotina de superação

Diagnosticado há 18 anos, o tatuador encontrou no esporte de alta performance uma nova perspectiva de vida e se tornou o primeiro atleta em tratamento oncológico a completar a prova no Brasil

Da redação
DA REDAÇÃO

08/12/2025 • 12:00 • Atualizado em 08/12/2025 • 12:00

Resumo

Diagnóstico de Linfoma de Hodgkin aos 17 anos transformou Gustavo Teixeira em exemplo de resiliência, levando-o a enfrentar múltiplas recidivas, quimioterapias, radioterapias, dois autotransplantes de medula e polineuropatia ao longo de 18 anos de tratamento.

Participação inédita de Gustavo no Ironman 70.3 em São Paulo, mesmo em tratamento ativo, simbolizou sua filosofia "Esmagando o Câncer", destacando o esporte como ferramenta de superação e inspiração para transformar adversidades em força pessoal.

Lançamento do livro "Perspectiva Consciente" reúne biografia e autoajuda, reforçando a importância de escolhas diárias para saúde e bem-estar, além de apelo à doação de sangue e medula óssea como gesto fundamental para salvar vidas e fortalecer comunidades.

Transformar um diagnóstico severo em combustível para viver intensamente. Essa é a premissa da trajetória de Gustavo Teixeira, tatuador e triatleta que, diagnosticado com Linfoma de Hodgkin em 2007, aos 17 anos, transformou sua luta contra o câncer em um exemplo de resiliência.

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Em entrevista para a BandNews, Gustavo compartilhou detalhes de sua jornada, que vai desde transplantes de medula até a conclusão de uma das provas mais difíceis do mundo: o Ironman.

Ao longo de 18 anos de tratamento, Gustavo enfrentou múltiplas recidivas, quimioterapias, radioterapias e dois autotransplantes de medula. No entanto, foi em 2018, após desenvolver uma polineuropatia (dano nos nervos) que limitou seus movimentos, que ele decidiu virar o jogo através do esporte.

"O esporte, quando me tirou [a mobilidade], realmente me tirou o chão. Aos poucos, mudando a alimentação, fazendo acupuntura e pilates, fui conseguindo ajustar. A ideia de entrar no triathlon veio para recuperar essas mobilidades que foram perdidas", explicou o atleta.

"Esmagando o Câncer no Triathlon"

O projeto de vida de Gustavo culminou na participação no Ironman 70.3 em São Paulo, onde ele completou a prova em 8 horas e 34 minutos, mesmo estando em tratamento ativo com imunoterapia. Segundo o atleta, o feito é inédito.

"Pelo que a gente pesquisou, eu sou o primeiro atleta em tratamento a conseguir fazer o Ironman. Existem histórias maravilhosas de pessoas que superaram o câncer, mas em tratamento, conciliando treino e tratamento, foi um feito único", destacou.

Para Gustavo, a prova vai muito além da medalha. Ela simboliza a filosofia que ele adotou, batizada de "Esmagando o Câncer".

"O 'Esmagando o Câncer' veio da ideia de esmagar o que te atrapalha na vida. O meu é o câncer. Tem gente que pode ser uma depressão, um término de relacionamento... Se dói em você, você tem que olhar aquilo. Do que você pode esmagar e tirar um proveito bom?", refletiu.

Perspectiva Consciente: O Livro

Além das pistas, a história de Gustavo agora ocupa as páginas do livro "Perspectiva Consciente: Você ainda tem tempo de mudar sua história, mas você quer?". A obra mistura biografia com autoajuda, compilando quase duas décadas de aprendizados sobre como escolhas diárias impactam a saúde e o bem-estar.

"Eu coloquei 18 anos de tratamento aqui. É um livro de autoajuda com a minha biografia. Eu conto essas passagens, me conecto com alguma dor sua e, junto, mostro a solução. Quero que quem leia sinta que a gente está batendo um papo", afirmou o autor.

Gustavo enfatiza que a cura não é apenas um evento médico, mas um processo contínuo de decisões, que envolve desde a alimentação até a saúde mental.

"A cura não é só um ponto. Você tem que curar vários pontos da sua vida com essa oportunidade. O câncer me fez ramificar essa dificuldade para todos os pontos da minha vida. Façam boas escolhas agora, porque a vida está no agora", concluiu.

Importância da Doação

Durante a entrevista, o triatleta também fez um apelo emocionado sobre a importância da doação de sangue e medula óssea, lembrando que, muitas vezes, a compatibilidade é difícil até mesmo entre familiares.

"Se vocês forem em um hemocentro, doação é um pouquinho da vida de vocês. Vocês não salvam só uma pessoa, salvam o ciclo familiar e de amigos em volta", finalizou Gustavo.

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