
Donald Trump demite procuradora-geral do departamento de Justiça dos EUA
Alex Brandon/Pool via REUTERS/File Photo
O presidente Donald Trump anunciou nesta quinta-feira (2) a demissão da procuradora-geral dos Estados Unidos, Pam Bondi. Na rede Truth Social, o republicano se referiu a Bondi como uma "grande patriota" e "amiga leal", acrescentando que o vice-procurador-geral, Todd Blanche, assumirá o cargo interinamente.
Bondi "passará a ocupar um novo cargo muito necessário e importante no setor privado, a ser anunciado em breve", disse o presidente.
Rumores sobre uma iminente demissão de Boni já circulavam há algum tempo. A jurista de 60 anos é agora a segunda integrante do gabinete de Trump a deixar o cargo dentro de um mês. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, apelidada popularmente como "Barbie do ICE", foi demitida por Trump no início de março.
Insatisfação com condução do caso Epstein
Deputados republicanos e aliados de Trump acusaram a agora ex-procuradora-geral de protelar ou encobrir a divulgação de documentos sobre as investigações de tráfico sexual contra Epstein, que morreu na prisão em 2019. O magnata tinha ligações com inúmeras personalidades influentes, incluindo o próprio Trump.
Desde que, em meados do ano passado, o tema começou a prejudicar o governo, Bondi tentou arquivar o caso, sem sucesso aparente.
Segundo relatos, Trump também teria ficado irritado com o fato de Bondi não ter processado criminalmente seus críticos e adversários com a rapidez necessária.
Perseguição a críticos
Trump não escondeu suas expectativas em relação ao Departamento de Justiça. Em setembro, por exemplo, ele pediu diretamente a Bondi, pelas redes sociais, que tomasse medidas contra pessoas que considera inimigos.
Os presidentes dos EUA anteriores a Trump tradicionalmente procuravam garantir que não surgissem dúvidas quanto à independência do Poder Judiciário. Quando assumiu o cargo, Bondi, ex-procuradora-geral da Flórida, era considerada uma aliada leal do presidente.
Por sua vez, a Procuradoria sofreu uma série de reveses nos tribunais ao tentar indiciar figuras contra as quais Trump jurou se vingar judicialmente, desde a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, passando por seis congressistas democratas que instaram o Exército dos EUA a desobedecer ordens ilegais, até o presidente do Federal Reserve (Banco Central americano), Jerome Powell.
O agora procurador-geral interino, Todd Blanche, de 51 anos, atuou como advogado de várias figuras muito próximas a Trump, como o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, e também representou o atual presidente no caso relacionado aos pagamentos secretos do republicano à atriz pornô Stormy Daniels.
Como procurador-geral adjunto, Blanche foi encarregado de conduzir um interrogatório na prisão com Ghislaine Maxwell, ex-companheira e principal intermediária de Epstein.
fcl/le (dpa, Reuters, Lusa)
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

