
Donald Trump pede o fim de bombardeios a Gaza
Nathan Howard/Reuters
O Hamas respondeu “sim, mas...” ao plano de 20 pontos do presidente Donald Trump para o fim da guerra em Gaza, Israel o aceitou no início da semana -- e a reação imediata da Casa Branca, que advertiu que não aceitaria uma resposta “sim, mas...”, foi pedir ao premiê Benjamin Netanyahu que interrompa, imediatamente, os bombardeios que mataram 72 palestinos, nesta sexta-feira, e mais de 66 mil em dois anos que serão completados na próxima terça-feira.
A resposta do Hamas acenou com um formidável trunfo: a entrega, em 72 horas, dos reféns vivos e mortos, que é o anseio de todos os israelenses. O premiê Benjamin Netanyahu não pode sequer pensar em confrontá-los. A cúpula palestina safou-se de um xeque mate e o repassou para Israel.
Os mediadores egípcios, turcos e catarianos terão trabalho extra com o emissário de Trump para a paz em Gaza e na Ucrânia, Steve Witkoff, para montar o quebra-cabeça da paz.
O problema principal: o plano de Trump é genérico, sem tração própria, que deve ser criada agora por negociações, como tantas outras que falharam nos últimos dois anos, por um detalhe ou outro.
Por exemplo: como os reféns serão devolvidos? E como Israel entregará os 1.950 prisioneiros, 250 deles condenados à prisão perpétua. Uma troca simultânea? Isso requer tempo e uma agenda acordada por todos os lados que, por enquanto, não existem.
O líder palestino Mousa Abu Marzouk definiu a entrega dos reféns em 72 horas como “matéria teórica e não prática nas atuais circunstâncias”. Ele se disse pronto a negociar todas as questões relativas ao armamento do Hamas.
Um ponto que ele considera crucial: -por que entregar armas defensivas se elas poderão servir a um futuro estado? Outra exigência do Hamas é ter garantias de que Israel vá se retirar totalmente de Gaza, e de que não haverá assassinatos dos líderes palestinos, mesmo se exilados no exterior.
Marzouk também diz que será preciso esclarecer “tudo” sobre a força interárabe de paz – “algo que não pode ser implementado sem acordo”. Os legítimos direitos do povo palestino, uma questão nacional, não deve ser decidida só pelo Hamas, apenas um parceiro a mais a contribuir com total responsabilidade. “A prioridade é parar a guerra e o massacre, e desta perspectiva avançar positivamente com o plano.
Algo que o Hamas aprendeu foi que qualquer conversa com o presidente Trump começa por elogiá-lo. E foi o que fez, saudando o plano que ele anunciou na segunda-feira, costurado com a ajuda de oito países árabes.
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