Band Jornalismo

Estudo afirma que efeitos do exercício físico continuam no repouso

Movimentos aumentam gasto de energia sem que o corpo reduza consumo para funções vitais, de acordo com pesquisa realizada por cientistas de três países.

Deutsche Welle
DEUTSCHE WELLE

24/10/2025 • 15:29 • Atualizado em 24/10/2025 • 16:00

Corrida

Corrida

Freepik

Resumo

Estudo internacional liderado pela Universidade Virginia Tech revela que a atividade física aumenta o gasto energético sem compensações metabólicas que reduzam a energia para funções vitais.

Pesquisa utilizou isótopos para medir o gasto energético em 75 adultos, mostrando que maior atividade física resulta em maior queima de calorias, independentemente da composição corporal.

Resultados sugerem um modelo energético aditivo, onde ser mais ativo aumenta o gasto energético total, promovendo benefícios à saúde mesmo em períodos de repouso.

Um estudo científico realizado por uma equipe internacional de pesquisadores indica que os efeitos da atividade física continuam mesmo após o fim dos movimentos. Segundo a pesquisa, o exercício aumenta o gasto energético sem que o corpo humano reduza a energia necessária para funções vitais.

Compartilhar

Na prática, os resultados apontam que o corpo não recorre a compensações metabólicas significativas para contrabalancear o gasto de energia provocado pelo movimento.

A pesquisa, liderada pela Universidade Virginia Tech, nos Estados Unidos, com a participação das universidades de Aberdeen, no Reino Unido, e Shenzhen, na China, foi publicada nesta semana pela revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

"Orçamento energético"

Para chegar a esta conclusão, os cientistas mediram o "orçamento energético" de 75 adultos com idades entre 19 e 63 anos, cujos níveis de atividade variavam do sedentarismo à prática de corridas de ultrarresistência.

Para medir o gasto energético total, os participantes ingeriram isótopos de oxigênio e hidrogênio, e durante duas semanas foram registradas as variações em suas amostras de urina, juntamente com seus movimentos, monitorados por sensores portáteis.

Os resultados mostraram que quanto maior a atividade física, maior é a queima de calorias, independentemente da composição corporal, e que o corpo administra seu orçamento energético sem reduzir o consumo por funções básicas, como a respiração e a circulação sanguínea.

O "orçamento energético" de uma pessoa pode funcionar de duas formas: como um valor fixo, no qual a energia é redistribuída de outras funções para cobrir o custo do movimento, ou como um sistema flexível, que é aditivo e permite maior gasto energético.

Os cientistas buscavam determinar qual desses modelos explica melhor as mudanças reais no orçamento energético, de acordo com diferentes níveis de atividade física.

Benefícios prolongados

Constatou-se que as pessoas mais ativas também passam menos tempo sentadas, o que reforça o modelo energético "aditivo", e que essas pessoas têm menos probabilidade de permanecer longos períodos em inatividade.

A pesquisa indica ainda que os benefícios do movimento persistem mesmo quando o corpo está em repouso e, portanto, que ser mais ativo realmente aumenta o gasto energético total e contribui para uma vida mais saudável.

Pesquisador do Laboratório de Evolução Humana da Universidade de Burgos, na Espanha, Guillermo Zorrilla explicou à agência de notícias EFE que a equipe também comparou populações com altos níveis de atividade física a outras mais sedentários.

Ele destacou que, quando o exercício físico é mais intenso e o gasto energético aumenta, o corpo ativa mecanismos que evitam que sejam ultrapassados limites capazes de afetar funções vitais do organismo.

"Seria como se as pessoas que praticam mais exercícios ou atividades físicas tivessem um maior orçamento energético", resumiu o pesquisador.ht/gq (EFE, ots)

Tópicos relacionados