
El Niño costuma aumentar as chuvas na Região Sul e favorecer períodos de estiagem no Norte e no Nordeste do Brasil.
Divulgação
A Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) confirmou nesta quinta-feira (11) a formação do El Niño. A notícia joga luz sobre um tema que já desperta grande interesse no Rio Grande do Sul. Dados da Sala Digital mostram que os gaúchos formam o segundo grupo de brasileiros que mais buscou informações sobre no fenômeno nos últimos três meses no Google no Brasil, atrás apenas dos catarinenses.
Não é difícil de entender esse movimento. As enchentes históricas registradas no estado em 2023 e 2024 ocorreram sob influência do El Niño, fenômeno que costuma aumentar as chuvas na Região Sul do país. No mesmo período, as buscas por "chuva" também registraram um aumento entre os gaúchos, indicando que os assuntos aparecem frequentemente associados no interesse do público.
Entre as principais dúvidas feitas pelos moradores do estado na barra de pesquisa do Google estão perguntas como: "o que é o El Niño?", "quando começa?", "quando chega ao Brasil?" e "quais são as consequências para o país?".
O que é o El Niño?
O El Niño é um fenômeno climático caracterizado pelo aquecimento acima da média das águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial. Esse aquecimento altera a circulação dos ventos e modifica os padrões de chuva em diversas partes do planeta.
No Brasil, um dos efeitos mais conhecidos é o aumento das precipitações na Região Sul, enquanto áreas do Norte e do Nordeste tendem a registrar períodos mais secos e maior risco de estiagem.

O fenômeno já começou?
A NOAA confirmou que as condições necessárias para caracterizar oficialmente o El Niño já estão presentes no Oceano Pacífico. Além da agência norte-americana, instituições como o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Agência Meteorológica do Japão e o Centro Europeu de Previsões Meteorológicas também apontam para a formação do fenômeno e seu fortalecimento ao longo dos próximos meses.
O Rio Grande do Sul corre risco de novas enchentes?
Ainda é cedo para responder com certeza. A NOAA estima em 63% a probabilidade de que o atual episódio alcance intensidade forte entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Já uma nota técnica conjunta do Inpe, Inmet, Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme) e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (CENSIPAM) aponta cerca de 60% de chance de formação e manutenção do fenômeno ao longo do segundo semestre deste ano, com possível atuação até o início de 2027.
Isso não significa, porém, que o estado enfrentará necessariamente novas enchentes como as registradas nos últimos anos.
O próprio Inmet ressalta que episódios intensos de El Niño não produzem obrigatoriamente os mesmos impactos em todas as regiões do Brasil. Embora o fenômeno aumente a probabilidade de chuvas acima da média no Sul, ele não determina sozinho a ocorrência de desastres climáticos.
O que mais preocupa os especialistas?
Além do comportamento do clima, especialistas chamam atenção para a capacidade de resposta das cidades.
Dados da plataforma AdaptaBrasil, divulgados pela Folha de S.Paulo, mostram que dois em cada três municípios brasileiros possuem baixa ou muito baixa capacidade de adaptação a eventos extremos provocados por chuvas intensas. Na Região Sul, 343 cidades apresentam indicadores considerados insuficientes para lidar com inundações, alagamentos e deslizamentos. Destas, 158 estão no Rio Grande do Sul.
Por isso, embora ainda seja cedo para dimensionar os impactos deste novo episódio de El Niño, a combinação entre maior probabilidade de chuva e baixa capacidade de adaptação ajuda a explicar por que o fenômeno voltou a ocupar espaço nas buscas dos gaúchos.
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