El Niño eleva risco de mosca-branca na soja do Matopiba
Seca e calor extremo favorecem proliferação de inseto que causa até 100% de perda nas lavouras da região

Produtores da região do Matopiba devem intensificar o manejo contra a mosca-branca na soja para a safra 2026-27, diante das alterações climáticas provocadas pelo El Niño. O alerta parte da equipe técnica da Sipcam Nichino Brasil, que aponta o clima quente e a seca como fatores determinantes para a multiplicação acelerada do inseto, capaz de gerar perdas de 20% a 100% nas áreas atingidas.
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O fenômeno El Niño altera a distribuição de chuvas e eleva as temperaturas no Matopiba — fronteira agrícola formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Esse ambiente de estiagem prolongada cria as condições ideais para a rápida expansão da praga.
Segundo o engenheiro agrônomo Eric Ono, gerente de portfólio da companhia, a mosca-branca (Bemisia tabaci) volta ao centro das atenções dos agricultores brasileiros. O especialista ressalta que o inseto sugador retira seiva com agressividade e drena os nutrientes essenciais da planta hospedeira.
Na cultura da soja, a sucção frequente gera a chamada depleção, processo que consiste no esgotamento nutricional das folhas. O ataque enfraquece a lavoura e pode provocar a desfolha precoce, prejudicando o enchimento e o rendimento dos grãos.
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Além da extração de nutrientes, a mosca-branca expele uma secreção açucarada que propicia o surgimento da fumagina. O fungo escuro reveste a superfície das folhas, impede a penetração da luz solar e paralisa a fotossíntese, processo biológico essencial para a geração de energia da planta.
O agrônomo explica ainda que o inseto atua como transmissor de vírus em lavouras suscetíveis. A contaminação retarda o ciclo de desenvolvimento vegetal e traz prejuízos severos no momento da colheita.
Apesar de a oleaginosa exigir vigilância redobrada neste ciclo, a praga também ataca com intensidade outros cultivos de importância econômica no País, como as lavouras de algodão, tomate e feijão.
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Para reduzir os impactos do clima adverso, agrônomos recomendam o monitoramento minucioso dos talhões desde o início da safra. O diagnóstico precoce evita que as populações atinjam níveis descontrolados nas plantações.
De acordo com a equipe técnica, a estratégia mais eficiente de combate exige foco na fase de ninfa, estágio jovem da mosca-branca. As aplicações tradicionais priorizavam apenas os insetos adultos voadores, medida que não rompia o ciclo biológico reprodutivo no campo.
As ninfas permanecem imóveis na face inferior das folhas. Por ficarem escondidas e se alimentarem de forma ininterrupta, drenam expressiva quantidade de seiva e fotoassimilados antes de atingirem a maturidade.
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O controle técnico interrompe a troca de fase de desenvolvimento ("instar") da praga, antecipando a morte das ninfas. Especialistas destacam soluções com ação de contato e vapor, voltadas para a supressão contínua de futuras gerações.
Entre as alternativas químicas disponíveis para o manejo integrado está o inseticida Fiera, desenvolvido à base do ingrediente ativo buprofezina 250 SC. O produto atua como regulador de crescimento e possui registro para controlar sugadores na soja e em mais de 30 culturas agrícolas, auxiliando os agricultores na proteção da produtividade regional.
