
Leão XIV
Yara Nardi/Reuters
O Papa Leão XIV completa o primeiro ano à frente da Igreja Católica nesta sexta-feira (8), em um período marcado por crise com Donald Trump.
A Sala Digital responde às perguntas mais feitas pelos brasileiros sobre o pontífice no Google, nos últimos três meses, e explica a escalada das discordâncias com o presidente dos Estados Unidos.
Qual o nome e a nacionalidade do Papa Leão XIV?
Eleito no dia 8 de maio de 2025 e empossado em 18 de maio, o líder católico se chama Robert Francis Prevost e fez história ao se tornar o primeiro papa norte-americano. Ele nasceu na cidade de Chicago, nos Estados Unidos.
Além da nacionalidade estadunidense, o pontífice também possui cidadania peruana. O documento é resultado dos mais de 20 anos em que ele atuou como missionário no país da América do Sul.
Papa Leão XIV é conservador?
Analistas descrevem o perfil ideológico do pontífice como moderado. Ele é um líder que “constrói pontes” entre as alas conservadora e progressista do clero.
Do ponto de vista conservador, ele resgatou o uso de vestes litúrgicas formais e mantém uma postura firme contra o aborto. Seu discurso utiliza uma linguagem teológica profunda, semelhante à adotada pelo papa emérito Bento XVI na defesa de valores tradicionais.
Pelo lado progressista, o atual pontífice é enfático na defesa dos imigrantes e nas críticas à desigualdade social. Ele também apoia a sinodalidade, defendendo uma instituição menos hierarquizada e que ouve mais os leigos.
Papa Leão XIV apoia a comunidade LGBTQIA+?
A posição da Igreja contra a bênção formal a casais do mesmo sexo foi reforçada no atual pontificado. A Santa Sé deixa claro que não concorda com a oficialização desses ritos.
Apesar da barreira litúrgica, o líder repete a expressão “todos, todos, todos”, cunhada por seu antecessor, o Papa Francisco. A frase serve para indicar que qualquer pessoa é acolhida na Igreja para buscar a conversão.
Quando o Papa Leão virá ao Brasil?
Ainda não existe uma data oficial para a vinda do Papa ao Brasil. Antes do conclave, o então cardeal Prevost tinha uma viagem marcada para abril de 2025 rumo a Aparecida, no interior paulista.
O objetivo era participar da Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). No entanto, o falecimento do Papa Francisco forçou o cancelamento da agenda para a eleição do novo pontífice.
A guerra de farpas com Donald Trump
A relação tensa entre o Papa e Donald Trump se tornou pública, motivada pela política externa dos EUA no Oriente Médio. O foco principal da discordância é a postura em relação ao Irã.
O embate escalou quando Leão XIV afirmou que Deus rejeita orações de “líderes com as mãos cheias de sangue”, o que foi interpretado como um recado ao presidente dos EUA.
A resposta ocorreu em 12 de abril, data que marcou o ápice da tensão. Pela rede Truth Social, Trump atacou o pontífice, chamando-o de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa”.
O presidente alegou que o Papa coloca os católicos em perigo ao não agir contra as ambições nucleares iranianas. Trump chegou a insinuar que a escolha de um americano para o Vaticano foi uma manobra institucional.
No dia 13 de abril, a bordo de um voo para a Argélia, Leão XIV rebateu. O religioso declarou publicamente não ter medo do governo Trump, ressaltando que sua missão é anunciar o Evangelho e promover a paz, minimizando o interesse em debates pessoais.
Especialistas avaliam o conflito como inédito, uma vez que a origem do Papa anula o argumento de que o Vaticano desconhece a realidade dos EUA. Durante a crise, Trump ainda gerou controvérsia ao postar imagens criadas por Inteligência Artificial nas quais usava vestes papais e figurava como Jesus Cristo.
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