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Banco Central mantém taxa Selic em 15% em meio a tarifaço de Trump

Decisão interrompe ciclo de altas do indicador básico de juros no Brasil

Da Redação, com Agência Brasil
DA REDAÇÃO, COM AGÊNCIA BRASIL

30/07/2025 • 18:38 • Atualizado em 30/07/2025 • 18:38

Banco Central

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Divulgação

O Banco Central interrompeu o ciclo de alta da Selic e manteve a taxa em 15%. O indicador já havia passado por sete aumentos seguidos e segue no patamar mais alto desde 2006.

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A decisão do BC vem no mesmo dia em que o presidente Donald Trump anunciou que o tarifaço de 50% previsto a produtos brasileiros foi adiado para o dia 6 de agosto. A Casa Branca ainda ressaltou que uma série de produtos estarão isentos das taxas, o que ajudou a acalmar setores da economia.

Apesar disso, itens como carne, café, pescados e frutas seguirão tarifados.

Em comunicado, o BC afirmou que o cenário econômico brasileiro tem mostrado moderação, mas que o mercado de trabalho ainda demonstra dinamismo.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes mantiveram-se acima da meta para a inflação. Os riscos para a inflação, tanto de alta quanto de baixa, seguem mais elevados do que o usual”, complementou a instituição.

Sobre o tarifaço de Trump, o BC disse que observa a situação com cautela.

“O Comitê tem acompanhado, com particular atenção, os anúncios referentes à imposição pelos EUA de tarifas comerciais ao Brasil, reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza. Além disso, segue acompanhando como os desenvolvimentos da política fiscal impactam a política monetária e os ativos financeiros. O cenário segue sendo marcado por expectativas desancoradas, projeções de inflação elevadas, resiliência na atividade econômica e pressões no mercado de trabalho”, frisa o comunicado.

Taxa Selic

A taxa básica de juros é usada nas negociações de títulos públicos emitidos pelo Tesouro Nacional no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas da economia. Ela é o principal instrumento do Banco Central para manter a inflação sob controle. O BC atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima do valor definido na reunião.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, pretende conter a demanda aquecida, e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Desse modo, taxas mais altas também podem dificultar a expansão da economia. Mas, além da Selic, os bancos consideram outros fatores na hora de definir os juros cobrados dos consumidores, como risco de inadimplência, lucro e despesas administrativas.

Ao reduzir a Selic, a tendência é que o crédito fique mais barato, com incentivo à produção e ao consumo, reduzindo o controle da inflação e estimulando a atividade econômica.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Meta contínua

Pelo novo sistema de meta contínua em vigor desde janeiro, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em maio de 2025, a inflação desde junho de 2024 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância. Em junho, o procedimento se repete, com apuração a partir de julho de 2024. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2025 em 5,1% , mas a estimativa pode ser revista, dependendo do comportamento do dólar e da inflação. O próximo relatório será divulgado no fim de junho.

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