
COP 30 em Belém, no Pará
Túlio Amâncio/Band
O rascunho da carta final da COP30, divulgado nesta terça-feira (18), reforça a avaliação de que o mundo está distante das metas estabelecidas para conter a crise climática e convoca um “mutirão global” para acelerar ações em todas as frentes — mitigação, adaptação e financiamento.
O texto preliminar reconhece que, apesar dos avanços diplomáticos recentes, a resposta internacional continua “muito aquém” do necessário para limitar o aquecimento a 1,5°C.
O documento aponta que a janela de oportunidade para frear os impactos mais graves está se fechando rapidamente e afirma que os países devem apresentar, até 2027, novos compromissos de redução de emissões alinhados às recomendações científicas.
O rascunho também destaca a necessidade de eliminar gradualmente a dependência global de combustíveis fósseis, embora não utilize o termo “phase-out”, que costuma provocar resistência entre grandes produtores de petróleo.
Outra frente destacada no texto é a adaptação, área considerada prioridade para países mais pobres, que enfrentam impactos cada vez mais severos de eventos extremos. O rascunho pede que governos ampliem a resiliência de sistemas de água, agricultura e infraestrutura, alertando que regiões inteiras já vivem consequências “irreversíveis” da crise climática.
No capítulo sobre financiamento, a carta preliminar admite que as promessas feitas pela comunidade internacional ainda não se traduziram em recursos efetivamente disponíveis para os países vulneráveis. O documento pressiona por mecanismos mais simples, previsíveis e de longo prazo, e afirma que o novo arcabouço financeiro em negociação deve ser concluído até 2026.
A divulgação do rascunho ocorre em meio a uma rodada intensa de negociações em Belém, marcada por divergências entre países desenvolvidos, emergentes e nações insulares. O texto ainda pode sofrer alterações significativas até o fim da conferência, mas já estabelece as linhas gerais que devem orientar a versão final da carta da COP30.
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