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Emendas parlamentares são nutridas por 'dinheiroduto'

Eduardo Oinegue comenta sobre a quantidade de recursos destinados à emendas parlamentares

Por Redação
REDAÇÃO

12/01/2026 • 22:17 • Atualizado em 12/01/2026 • 22:17

Eduardo Oinegue

Sabe a Apple, a Amazon, a Microsoft? Esquece. Vou te falar o que valorizou mais do que elas nos últimos 10 anos: as emendas parlamentares. É isso mesmo, é o Congresso brasileiro fazendo história. Se existisse uma empresa chamada 'Emenda Parlamentar', ela daria pau em muita big tech por aí.

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A Apple, nos últimos 10 anos, se valorizou seis vezes e meia. A Amazon, sete vezes e meia. A Microsoft, oito vezes. Mas sai da frente: emendas parlamentares não vieram para brincar. Em 2015 elas valiam menos de R$ 6 bilhões, e agora para 2026, mais de R$ 60 bilhões. Dez vezes mais! Desculpa, Vale do Silício.

E o mais bacana: sem risco. Apple, Amazon e Microsoft, elas estão rendendo dividendos para os investidores, mas com risco. Porque no capitalismo você até pode ganhar muito, mas também pode perder muito, como perdeu, no caso tudo, quem investiu na Kodak, Blockbuster, Blackberry. Isso não acontece com as emendas parlamentares, porque elas são alimentadas por um 'dinheiroduto' que liga o seu bolso à base eleitoral do congressista. E na base do saco sem fundo mesmo, que o governo alimenta de forma desavergonhada com o aumento de carga tributária e de onde os parlamentares tiram até a última moedinha num esquema que tem regras frouxas e com base num velho acordão.

O governo conta com os deputados e senadores para aprovar os programas populistas que ele cria e garante para deputados e senadores verbas em volume cada vez mais altos. O deputado vai lá, o senador vai lá, joga no orçamento, sei lá, digamos, do Ministério do Turismo, uma verba para uma cidade do interior onde não tem turismo, nem nunca vai ter turismo, mas tem eleitor. Aí manda fazer uma praça, manda fazer uma ponte pequena... A gente não sabe exatamente o que acontece durante a obra, mas vamos imaginar que tudo acontece direitinho, não tem esquema, não tem nada. Na hora da inauguração, o politicão aparece ao lado do prefeito, 'o pai da obra', que você e eu financiamos.

Nos últimos dias saiu uma reportagem mostrando que em alguns ministérios as emendas parlamentares ficam com até 80% da verba de uso livre. Tem estudo mostrando que o aumento do valor das emendas está associado a taxas mais altas de reeleição de prefeitos. É uma deformação que transforma planejamento em barganha e agride a democracia. A política pública é um pretexto. Pretexto para a corrida pelo voto. A sociedade precisa se orgulhar das instituições que tem. Aí quando o Congresso e o governo, consorciados, fazem uma patifaria dessas, é de se perguntar: onde a gente vai buscar motivos para ter orgulho?

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