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Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi

Negociação envolve a mina de Pela Ema, em Goiás, única produtora de terras raras pesadas fora da Ásia; acordo visa reduzir dependência da China

Da redação
DA REDAÇÃO

20/04/2026 • 17:28 • Atualizado em 20/04/2026 • 17:36

Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi

Empresa dos EUA compra mineradora brasileira de terras raras por US$ 2,8 bi

Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

A mineradora norte-americana USA Rare Earth (USAR) anuncia, nesta segunda-feira (20), a aquisição da empresa brasileira Serra Verde em uma transação avaliada em aproximadamente US$ 2,8 bilhões. A companhia brasileira é responsável pela operação da mina de Pela Ema, localizada em Minaçu, Goiás, que se destaca como a única unidade de extração de argilas iônicas ativa no Brasil e a única produtora de quatro tipos de terras raras pesadas fora do continente asiático.

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Os materiais extraídos em solo goiano, como Disprósio (Dy), Térbio (Tb) e Ítrio (Y), são considerados críticos e de alto valor comercial. Atualmente, mais de 90% da extração global de terras raras é concentrada na China. Esses minerais são componentes essenciais para a fabricação de ímãs permanentes utilizados em tecnologias de ponta, incluindo veículos elétricos, turbinas eólicas, drones, semicondutores e nos setores de defesa e aeroespacial.

Expansão e autonomia estratégica fora da Ásia

A integração entre as empresas visa estabelecer a primeira cadeia completa de suprimentos de terras raras — da extração à fabricação de ímãs — fora da Ásia. De acordo com o comunicado oficial da Serra Verde, a operação em Goiás ainda está em sua primeira fase de produção, mas o planejamento estratégico prevê dobrar a capacidade produtiva até o ano de 2030.

O acordo estabelece um contrato de fornecimento de 15 anos para abastecer uma Empresa de Propósito Específico (SPV). Essa estrutura conta com capitalização de agências do governo dos Estados Unidos e fontes privadas, garantindo preços mínimos para a produção de terras raras magnéticas. Segundo Ricardo Grossi, presidente da Serra Verde Pesquisa e Mineração, o marco demonstra a liderança do Brasil no desenvolvimento de cadeias globais de suprimento e valida a qualidade da operação nacional.

A movimentação ocorre em um cenário de tensões comerciais, onde lideranças políticas norte-americanas, como Donald Trump, criticam recorrentemente a dependência ocidental da produção chinesa. A nova multinacional resultante da compra contará com oito operações distribuídas entre Brasil, Estados Unidos, França e Reino Unido, abrangendo desde a mineração até a metalização e fabricação final dos componentes.

Com informações do Estadão Conteúdo