O governo russo intensificou os bombardeios contra o país vizinho utilizando o Oreshnik, um míssil balístico hipersônico de última geração, praticamente invisível aos sistemas de radares convencionais. A ofensiva ocorre em um momento crítico, com o inverno europeu registrando temperaturas abaixo de zero e ataques direcionados à infraestrutura energética ucraniana.
Os ataques atingem alvos civis e militares, com bombeiros trabalhando no combate a incêndios em prédios na zona oeste de Kiev. A estratégia russa de focar na rede de energia, repetida ao longo dos quase quatro anos de conflito, busca desestabilizar o país durante o período de frio extremo. No entanto, o diferencial desta nova fase é o emprego do sistema Oreshnik, desenvolvido originalmente para cenários de guerra nuclear.
Tecnologia e alcance do míssil Oreshnik
O armamento utilizado por Moscou possui alcance intermediário, sendo capaz de atingir alvos a até 5.500 quilômetros de distância. Devido à sua velocidade hipersônica — dez vezes superior à velocidade do som —, o projétil pode alcançar as principais capitais da Europa em aproximadamente 16 minutos a partir de lançamentos realizados no território russo ou em Belarus, onde o sistema foi instalado.
Além da velocidade que dificulta a detecção e a interceptação, o Oreshnik tem capacidade para transportar até seis ogivas atômicas. Estas bombas se desprendem durante a trajetória e podem ser direcionadas a alvos distintos de forma independente. No ataque recente, Moscou utilizou o armamento com ogivas convencionais, atingindo galpões de produção e armazenamento de drones, segundo informações do Ministério da Defesa da Rússia.
A Rússia afirma que a utilização deste míssil é uma retaliação a uma suposta tentativa ucraniana de atacar a residência oficial do presidente Vladimir Putin, ocorrida em dezembro. O governo em Kiev nega qualquer envolvimento em tentativas de atentado contra o líder russo.
Repercussão diplomática e tensões na ONU
A reunião de emergência no Conselho de Segurança da ONU expõe o distanciamento entre as potências e as partes envolvidas. O embaixador da Ucrânia afirma que Vladimir Putin demonstra determinação em prosseguir com o que classificou como "guerra bárbara", ignorando tentativas de mediação e interlocutores da paz.
Por outro lado, a representação da Rússia acusa as forças ucranianas de realizarem ataques sistemáticos contra populações civis em território russo. No contexto diplomático, a representante dos Estados Unidos classifica os recentes bombardeios russos como um "deboche" frente às negociações de paz que vêm sendo lideradas pelo presidente eleito Donald Trump.
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