
Irã põe em órbita três satélites simultaneamente pela 1ª vez
REUTERS/Akhtar Soomro
As autoridades americanas dizem que as tratativas para um acordo de paz duradouro no Oriente Médio avançaram. O secretário de Estado americano, Marco Rubio, afirmou que pode haver um anúncio sobre um acordo fechado ainda nesta segunda-feira (25). Por outro lado, a diplomacia iraniana fala em progresso nas conversas, mas diz que a assinatura de um acordo não será iminente. Há três pontos que ainda precisam de consenso entre as partes.
Primeiro: o Irã não quer conversar, neste momento, sobre seu programa nuclear. Aceita as tratativas, mas afirma que essa discussão ficaria para depois. Teerã também não abre mão dos 400 quilos de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao necessário para a fabricação de artefatos nucleares.
O segundo ponto é exatamente sobre o controle e o pedágio no Estreito de Ormuz, que o Irã reivindica.
E, por fim, a questão do Líbano. O regime dos aiatolás quer que Israel pare imediatamente de atacar território libanês e o Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo Irã. Já os Estados Unidos e Israel não aceitam que o Irã mantenha o programa nuclear.
Sobre Ormuz, as águas são internacionais e, segundo o direito internacional, a navegação deve ser livre. Há o risco de Teerã controlar um ponto nevrálgico da economia mundial, por onde passam 20% do petróleo global. Além disso, isso poderia abrir um precedente para que outros países reivindiquem controle sobre rotas internacionais.
Em relação ao Líbano, o governo Netanyahu alega direito de defesa e não aceita o Hezbollah armado. E, com isso, civis seguem pagando o preço, com três mil mortos e um milhão e 200 mil deslocados.
Hoje, os mercados internacionais amanheceram otimistas. As bolsas sobem e o preço do petróleo caiu para abaixo de 100 dólares o barril. Só não se sabe se esse otimismo será, de fato, duradouro.
O mundo aguarda esse desfecho com ansiedade. Uma coisa é clara: os Estados Unidos e Israel iniciaram os ataques em 28 de fevereiro. E Donald Trump disse que o conflito duraria, no máximo, um mês. Hoje, estamos há quase três meses acompanhando essa situação. É o dia 87 da guerra.
O regime iraniano mostra uma grande capacidade de resistência, que foi subestimada por quem acreditava que haveria uma queda rápida dos aiatolás. A aposta de Teerã na guerra econômica, atacando países do Golfo e ameaçando fechar Ormuz, está se mostrando eficaz.
O mundo todo, inclusive a população americana, sentindo isso no bolso, pressiona por um fim rápido para o conflito. Então fica a pergunta: valeu a pena iniciar esses ataques? Os Estados Unidos não conseguiriam mais concessões do Irã se tivessem negociado em vez de atacar?
Até então, o governo iraniano não sabia como reagiria diante de ataques intensos dos exércitos americano e israelense. Hoje, há uma sensação em Teerã de que o país pode resistir por muito tempo e de que não precisa atender a tantas exigências do Ocidente. Enfim …neste momento, a guerra parece ter criado mais resistência do que rendição.
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