
Trump Casa Branca
Doug Mills/Reuters
Na Europa, continuam os desdobramentos sobre a ação dos Estados Unidos na Venezuela. Os europeus se mostram perdidos nessa nova ordem mundial. De um lado, os Estados Unidos e seu unilateralismo; de outro, China e Rússia, que ameaçam o continente tanto na política quanto na economia. Os Estados Unidos sempre foram vistos, depois da Segunda Guerra, como um aliado incondicional, mas, com a nova geopolítica americana de Trump, a União Europeia se questiona: como será o futuro?
A Europa, que já lida com uma guerra, a da Ucrânia, agora se preocupa com seu próprio território. Só que desta vez em outro canto: na Groenlândia, um verdadeiro tesouro que fica entre a América do Norte e o continente. É o maior território insular do mundo, rico em recursos naturais e estratégico do ponto de vista militar. A maior ilha do mundo é um território autônomo que pertence à Dinamarca, país-membro da União Europeia. A ilha, que é cinco vezes maior que a França, tem uma população de apenas 56 mil pessoas.
Impasse diplomático e histórico militar
Trump já avisou: quer comprar a Groenlândia da Dinamarca, mas não descartou o uso da força militar americana para a ocupação do território. Sobre essa questão estratégica, o professor de direito internacional Manuel Furriela relembra o histórico da região:
Primeiro-ministro Groenlândia se enfurece após nova ameaça de Trump
"Isso aconteceu no caso da Groenlândia durante a Segunda Guerra Mundial, onde os Estados Unidos tiveram que manter, por questões estratégicas — que seriam as mesmas de hoje em dia — bases militares".
Furriela destaca que a resistência dinamarquesa não é atual: "O governo da Dinamarca, que é quem controla o território da Groenlândia, rechaçou, não aceitou à época tal pedido. E agora, novamente, por mais de uma oportunidade, não só a Groenlândia no seu governo local, como também a Dinamarca, rechaçam, negam qualquer tipo de aceitação de desenvolver um projeto desse jeito". Segundo o professor, uma aceitação abriria mão do domínio dinamarquês, permitindo que a Groenlândia estivesse "sob o domínio norte-americano, podendo ser até constituído como mais um estado daquele país".
Reação da Dinamarca e da União Europeia
Ontem, a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, voltou a dizer que ameaças, pressão e falas de anexação não deveriam ter lugar entre países amigos. Ela também foi firme: disse que um ataque dos Estados Unidos a um país aliado da OTAN destruiria a própria Aliança Militar do Atlântico Norte e que todo o mecanismo de segurança do pós-Segunda Guerra Mundial estaria comprometido no Ocidente.
A União Europeia reagiu às novas ameaças dos Estados Unidos sobre a Groenlândia e foi direto ao ponto: o território não está à venda. Em Bruxelas, a Comissão Europeia afirmou que mantém contato com o governo local e reforçou que a soberania e a integridade territorial devem ser respeitadas, especialmente quando envolvem um Estado-membro da União.
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