
Irã põe em órbita três satélites simultaneamente pela 1ª vez
REUTERS/Akhtar Soomro
Chegamos ao 24° dia de guerra sem perspectiva imediata de cessar-fogo — contrariando quem achava que a guerra levaria, no máximo, quatro semanas. Nesta madrugada, bombardeios intensos de Israel e dos Estados Unidos por todo o Irã. A Casa Branca e o Exército israelense afirmam estar destruindo depósitos de munições e mísseis, complexos militares de fabricação das armas e bases da Guarda Revolucionária iraniana.
O Irã continua mostrando capacidade de resposta, seja com ataques de mísseis e drones aos países do Golfo, seja também contra Israel. Neste fim de semana, ataques iranianos com uma série de mísseis contra o Estado judeu deixaram mais de 150 feridos — pelo menos 11 em estado grave. O sistema antimísseis israelense não conseguiu interceptar todos.
As cidades de Arad e Dimona foram duramente atingidas. Em Dimona, estão localizadas instalações estratégicas de Israel, onde acredita-se que armas nucleares são desenvolvidas. O Irã afirmou que retaliou a campanha aérea dos Estados Unidos e de Israel contra suas instalações nucleares em Natanz.
Neste sábado, o presidente americano Donald Trump deu um ultimato a Teerã: o regime dos aiatolás tem que reabrir totalmente o Estreito de Ormuz. O prazo dado de 48 horas termina nesta segunda-feira, por volta de quinze para as nove da noite, horário de Brasília. Caso a exigência não seja cumprida, Trump promete amplo ataque e destruição das usinas de energia do Irã, começando pela maior.
Teerã, por sua vez, respondeu: caso sua infraestrutura energética seja atacada, fechará por tempo indeterminado o Estreito de Ormuz; atacará usinas de energia em países do Golfo; atacará sistemas de tecnologia, infraestrutura e comunicação de Israel. Além disso, o regime ameaçou destruir empresas americanas em toda a região.
A ameaça iraniana vai além: ataques a plantas de dessalinização — estruturas essenciais para o abastecimento de água de países do Golfo. Só para ter uma ideia: 90% da água do Kuwait é dessalinizada; de Israel, 75%; e da Arábia Saudita, 70%. Afinal, estamos falando de desertos.
Se essas ameaças forem para frente... o que acontecerá em todo o Oriente Médio sem energia e sem água potável? A situação é complicada, e analistas internacionais avaliam que Trump se colocou numa verdadeira sinuca de bico. Se não fizer nada, demonstra fraqueza; e, se agir e o plano não for muito bem-sucedido, pode levar a região ao caos.
O preço do petróleo continua nas alturas. 20% do petróleo mundial passa por Ormuz, mas não é só petróleo: cerca de 25% do comércio global de GNL — o gás natural liquefeito — também passa pelo estreito. Fertilizantes, metais como alumínio e aço, e gás hélio também dependem do estreito para o seu destino final.
A Agência Internacional de Energia alertou hoje que o mundo poderá enfrentar a pior crise energética das últimas décadas em consequência dessa guerra. Segundo o relatório, 40 infraestruturas energéticas da região já foram gravemente ou muito gravemente danificadas. Com isso, o mundo já perdeu 11 milhões de barris de petróleo por dia.
A agência recordou que, nos anos 70, ocorreram duas crises energéticas, mas que em cada uma a interrupção foi de 5 milhões de barris por dia. Ou seja: a crise atual representa duas crises mundiais de petróleo somadas dos anos 70, mais o colapso do mercado de gás. Lembrou também dos danos já causados pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
Esta semana, o mundo prende a respiração e já sente os efeitos dessa guerra. O receio é que, além dos efeitos humanitários, a crise por lá — como nos anos 70 — leve ao cenário chamado de “estagflação”, que seria inflação com estagnação econômica.
Depois das ameaças, Trump anunciou conversas produtivas com o Irã e disse que não vai atacar instalações de energia por 5 dias.
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