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Especialista explica como os Correios chegaram no colapso atual nas contas

A escolha por um empréstimo, em vez de um aporte direto do Tesouro, é uma manobra para não impactar o limite de despesas do arcabouço fiscal

Da redação
DA REDAÇÃO

19/10/2025 • 17:18 • Atualizado em 19/10/2025 • 17:18

Resumo

Crise financeira dos Correios exige empréstimo de R$ 20 bilhões para cobrir prejuízos e manter operações, conforme reportagem da BandNews TV. A situação crítica é resultado de problemas estruturais antigos e intensa concorrência no setor de entregas.

Economista Murilo Viana analisa que a crise dos Correios decorre da obsolescência do serviço de cartas e da superação das funções bancárias pela tecnologia, como o PIX, além da perda de mercado no e-commerce, onde enfrentam forte concorrência privada.

Para contornar a crise, os Correios negociam um empréstimo com garantia do Tesouro Nacional, evitando impactar o limite de despesas do arcabouço fiscal. No entanto, há riscos de dependência do orçamento público se a estatal não conseguir honrar o empréstimo.

A crise financeira dos Correios atingiu um ponto crítico: a estatal precisará de um empréstimo de até R$ 20 bilhões para cobrir os prejuízos e manter suas operações.

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A informação, que acende um alerta sobre a saúde da empresa, foi analisada pelo economista e especialista em contas públicas, Murilo Viana. Segundo ele, a situação atual é resultado de um problema estrutural que se arrasta há anos.

Embora o governo justifique o déficit como resultado de investimentos e da forte concorrência no setor de entregas, Viana aponta que a raiz da crise é mais profunda e complexa.

O diagnóstico da crise, segundo o especialista

Em análise para a BandNews TV, Murilo Viana destacou que os Correios perderam relevância em suas frentes de atuação mais tradicionais e não conseguiram se adaptar às novas tecnologias.

"Na verdade, é um problema que se arrasta há anos. Os Correios têm enfrentado a concorrência muito grande gerada pelas novidades tecnológicas", explicou o economista.

Ele ressaltou dois pontos cruciais que explicam o "rombo" na estatal:

  1. O Fim das Cartas e a Ascensão do PIX: O serviço de envio de correspondências físicas, como cartas, tornou-se obsoleto na era digital. Além disso, uma estratégia antiga da empresa de atuar como correspondente bancário para aumentar a bancarização da população foi superada. "Com o desenvolvimento do PIX, por exemplo, teve um aprofundamento da bancarização muito maior e muito menos dependente desse tipo de ação dos Correios", afirmou Viana.
  2. Concorrência no "Filé Mignon": A estatal enfrenta uma concorrência acirrada do setor privado nas áreas mais lucrativas, como a entrega de encomendas do e-commerce (a chamada "última milha"). Empresas privadas conseguem executar esse serviço "com muito mais presteza". Com isso, os Correios perdem receita nos segmentos rentáveis, mas continuam com a obrigação de atender regiões remotas e de alto custo operacional, onde o setor privado não tem interesse, o que agrava o prejuízo.

Empréstimo com garantia do Tesouro é a saída

Questionado sobre a viabilidade de um empréstimo tão vultoso, Murilo Viana explicou que o "pulo do gato" da operação é a garantia do Tesouro Nacional. Com o governo federal assegurando o pagamento, o risco para as instituições financeiras é mínimo, o que torna a operação viável, provavelmente por meio de um consórcio de bancos.

A escolha por um empréstimo, em vez de um aporte direto do Tesouro, é uma manobra para não impactar o limite de despesas do arcabouço fiscal.

"Se o Tesouro aportasse recurso diretamente, isso esbarraria no limite de despesa do arcabouço fiscal e aumentaria ainda mais o desafio do governo para entregar a meta de resultado primário", analisou Viana.

Apesar de contornar a regra fiscal no curto prazo, a medida carrega riscos. Caso os Correios não consigam honrar o empréstimo, a conta será paga pelo Tesouro Nacional, ou seja, pelos contribuintes, podendo transformar a estatal em uma empresa oficialmente dependente do orçamento público.

O desafio, portanto, vai além do socorro financeiro e exige uma reestruturação profunda do modelo de negócios da empresa.

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