
Grávida
Agência Brasil
A sétima edição da publicação "Álcool e a Saúde dos Brasileiros: Panorama 2025", lançada pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), traz um alerta contundente sobre o consumo de álcool durante a gestação. O documento classifica a gravidez como um cenário de "Álcool Zero", enfatizando que a única forma segura de prevenção de danos ao feto é a abstinência total.
De acordo com as definições estipuladas no relatório, o conceito de "Álcool Zero" refere-se a situações específicas em que "nenhuma quantidade de álcool deve ser consumida". A publicação lista explicitamente as grávidas neste grupo, ao lado de menores de 18 anos e pessoas que utilizam medicamentos que interagem com o álcool ou que vão conduzir veículos.
O Perigo da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF)
A rigidez na recomendação deve-se ao fato de que o consumo de álcool na gravidez é a causa direta da Síndrome Alcoólica Fetal (SAF). No capítulo dedicado à metodologia e classificação de agravos, o CISA cataloga a SAF (código Q86.0 na Classificação Internacional de Doenças - CID-10) como uma condição "Totalmente Atribuível ao Álcool" (TAA).
Isso significa que a "Fração Atribuível ao Álcool" (FAA) para esta síndrome é de 100%. Em termos práticos, o relatório explica que condições com essa classificação "não existiriam sem o consumo" da substância. Portanto, todos os casos de Síndrome Alcoólica Fetal poderiam ser evitados se o consumo de álcool fosse completamente eliminado durante a gestação.
Consumo nocivo e saúde da mulher
Embora o relatório aponte que a abstenção de álcool é predominante entre as mulheres brasileiras em geral (59% declararam não beber na pesquisa Ipsos de 2025), o alerta para gestantes permanece vital dentro das estratégias de prevenção.
O documento destaca que o uso nocivo de álcool é fator causal para mais de 200 doenças e lesões. Para as mulheres, especificamente, há riscos aumentados mesmo em outros cenários, como a relação com o câncer de mama, classificado como uma doença "Parcialmente Atribuível ao Álcool" (PAA).
O CISA, organização reconhecida como referência nacional no tema, reforça com esta publicação sua missão de reduzir o uso nocivo de álcool através de informações científicas qualificadas, deixando claro que, para a saúde do bebê, a tolerância é zero.
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