
ET de Varginha: relatório mostra que mulheres, na verdade, viram um morador de rua
Reprodução/Prefeitura de Varginha
Três décadas após o Brasil e o mundo voltarem os olhos para o Sul de Minas Gerais, o Caso Varginha permanece como o maior capítulo da ufologia nacional. No entanto, novos acessos a documentos históricos e a manutenção das conclusões do Inquérito Policial Militar (IPM) de 1997 — disponibilizados integralmente pelo Superior Tribunal Militar (STM) neste mês — buscam colocar um ponto final no mistério: oficialmente, nunca houve um extraterrestre em Varginha.
O "Mudinho" e a tempestade de janeiro
A versão oficial, sustentada pelo Exército Brasileiro, aponta que o avistamento ocorrido em 20 de janeiro de 1996 pelas irmãs Liliane e Valquíria Silva, e pela amiga Kátia Andrade, foi um equívoco de interpretação.
Segundo o IPM nº 18/97, a criatura descrita pelas jovens (com pele escura, olhos avermelhados e agachada junto a um muro) era Luís Antônio de Paula, conhecido como "Mudinho". Morador da região e com transtornos mentais, ele tinha o hábito de ficar agachado e foi visto no local durante a tempestade que atingiu a cidade naquela tarde.
As evidências contra o mito
Além da identificação do "ET", as autoridades militares e investigações civis desmentiram, ao longo dos anos, outros pilares da teoria da conspiração:
- A Morte do Soldado Chereze: O falecimento do policial Marco Eli Chereze, que muitos ufólogos ligavam ao contato com um vírus alienígena, foi clinicamente atribuído a uma infecção generalizada após a remoção cirúrgica de um cisto.
- Movimentação da ESA: O fluxo de caminhões da Escola de Sargentos das Armas (ESA) na cidade, interpretado como uma operação de captura, foi justificado como deslocamentos de rotina para manutenção de frota em concessionárias de Varginha.
- Dissonância persistente: Apesar das provas documentais, as testemunhas oculares e a comunidade ufológica contestam o relatório, alegando que o documento não cobre movimentações suspeitas em hospitais da rede civil na época.
Do mistério ao marketing: o lucro da incerteza
Independentemente da veracidade dos fatos, Varginha soube transformar o susto em oportunidade. Em 2026, a cidade consolidou-se como a "Capital Brasileira da Ufologia". "O mito tornou-se um pilar econômico essencial para a região", aponta o relatório de turismo da prefeitura.
Desde a reabertura do Memorial do ET em 2024, o local já recebeu mais de 100 mil visitantes. O investimento público em monumentos — como caixas d'água em formato de naves espaciais e estátuas gigantes — garante que o mistério continue vivo, se não nos arquivos militares, certamente no imaginário popular e no caixa do comércio local.
Embora o STM tenha dado transparência total aos documentos neste ano, o Caso Varginha parece destinado a viver eternamente no folclore brasileiro. Para os entusiastas, as lacunas de informação sobre a rede hospitalar mantêm a chama do mistério acesa; para o Estado, o caso está encerrado e arquivado.
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