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"Eu sou metamorfose ambulante na negociação", diz Lula ao abrir diálogo total com Trump

Presidente afirma que não há temas proibidos na mesa de negociação com os EUA, incluindo Venezuela, e se coloca à disposição para mediar conflitos na América do Sul

Da redação
DA REDAÇÃO

27/10/2025 • 00:50 • Atualizado em 27/10/2025 • 00:50

Em coletiva de imprensa na Malásia, o presidente Lula detalhou o tom das conversas com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as tarifas comerciais e a relação bilateral. Com uma postura de abertura total, Lula afirmou que não há "temas proibidos" e que está disposto a discutir qualquer assunto de interesse dos norte-americanos, autodefinindo-se como uma "metamorfose ambulante na negociação".

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Respondendo a uma pergunta do correspondente da Band, Eduardo Barão, sobre o que os Estados Unidos desejam em troca do fim das sobretarifas, Lula explicou que o diálogo foi iniciado por ele, com a garantia de que não haveria vetos a nenhuma pauta. "O presidente Trump não disse o que queria porque eu comecei a conversa com ele dizendo que não tem veto na nossa discussão. O assunto que quiserem discutir e colocar na mesa, nós vamos discutir", declarou o presidente.

Entre os temas citados, Lula mencionou a relação comercial com a China, a situação na Venezuela, minerais críticos e terras raras. "Não tem problema. Eu sou uma metamorfose ambulante na mesa de negociação. Coloque o que quiser que eu estou disposto a discutir todo e qualquer assunto", reforçou.

O presidente destacou que abordou proativamente a crise na Venezuela com Trump, expressando preocupação com o agravamento da situação e oferecendo a experiência do Brasil para mediar o conflito. Ele lembrou a criação do "Grupo de Amigos da Venezuela" em 2003, quando, com apenas 15 dias de mandato, ajudou a garantir a realização de um referendo pacífico no país vizinho.

"Eu disse para ele que é extremamente importante levar em conta a experiência que o Brasil tem como maior país da América do Sul", disse Lula. "Nós estamos à disposição para ajudar, porque nós queremos manter a América do Sul como zona de paz."

Lula também fez questão de ressaltar o compromisso histórico do Brasil com a não proliferação de armas nucleares, um voto que ele mesmo deu como constituinte e que está gravado na Constituição. "Não é uma invenção minha, não é um discurso. É um voto que eu dei na Constituição brasileira", pontuou.

Com essa abordagem, o presidente busca convencer seus interlocutores de que o Brasil é um parceiro confiável, disposto a encontrar soluções negociadas para questões complexas, mantendo sempre a soberania e o interesse nacional como prioridades.