Os Estados Unidos lançaram nesta terça-feira (7) uma série de ataques contra o Irã em retaliação a ofensivas iranianas contra três navios comerciais que cruzavam o Estreito de Ormuz. O anúncio foi feito pelo Comando Central das Forças Armadas americanas (Centcom) em comunicado publicado nas redes sociais.
Segundo o Centcom, os ataques foram lançados "para impor pesados custos" ao Irã por atingir embarcações comerciais tripuladas por civis em uma via internacional. O comando classificou a ofensiva iraniana como uma violação clara do cessar-fogo em vigor. Após o anúncio, a mídia estatal iraniana relatou múltiplas explosões em localidades do sul do país, incluindo Bandar Abbas, a Ilha de Qeshm e a cidade portuária de Sirik.
Os ataques iranianos que motivaram a retaliação atingiram três embarcações entre a noite de segunda-feira e a manhã de terça, próximo às águas territoriais de Omã. Um dos alvos foi o petroleiro catariano Al Rekayyat, que transportava gás natural liquefeito (GNL) e foi atingido a cerca de oito milhas náuticas da costa de Limah, em Omã, provocando um incêndio. A Arábia Saudita informou que outro de seus navios, o petroleiro de petróleo bruto Wedyan, também foi atacado ao passar pelo estreito. Não houve registro de vítimas.
O Catar responsabilizou o Irã "integralmente" pelo episódio e exigiu que Teerã cesse práticas que ameacem a segurança regional e coloquem em risco o fornecimento global de energia. A Arábia Saudita condenou os ataques como uma agressão à segurança da navegação internacional e ao abastecimento energético mundial. O secretário-geral do Conselho de Cooperação do Golfo classificou a ofensiva como uma escalada perigosa.
Em paralelo à ação militar, o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou a revogação de uma licença geral, concedida em 22 de junho, que autorizava a produção, entrega e venda de petróleo e produtos petroquímicos iranianos. Segundo autoridades americanas, o memorando de entendimento em vigor com o Irã é baseado em desempenho, e as ações de Teerã no estreito foram consideradas "totalmente inaceitáveis". Os negociadores americanos, acrescentaram, seguem trabalhando de boa-fé rumo a um acordo definitivo.
O Estreito de Ormuz é uma das principais artérias do comércio mundial. Antes da guerra, cerca de um quinto do petróleo consumido no mundo passava pela via. O tráfego chegou a despencar durante o conflito, iniciado em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã. Desde então, Teerã tem restringido a navegação e usado o estreito como instrumento de barganha nas negociações de paz.
Os novos ataques ocorrem em meio a dias de cortejos fúnebres pelo ex-líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, morto no início da guerra. Na véspera, o presidente Donald Trump havia advertido que o Irã precisa fechar um acordo ou os EUA vão "terminar o serviço". A próxima rodada de negociações mediadas em Doha estava suspensa até depois do funeral.
Fique bem informado!
Receba gratuitamente as notícias mais importantes do dia direto no seu e-mail
Escolha quais newsletters quer receber

