
Donald Trump
REUTERS/Jonathan Ernst
A negociação entre Irã e Estados Unidos, que chegou a fracassar antes de começar, foi reabilitada sob forte pressão de nações árabes. Ela está prevista para esta sexta-feira, no Sultanato de Omã.
O líder Supremo da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, “deve estar muito preocupado”, disse o presidente Donald Trump durante uma entrevista à rede NBC News, depois do colapso do encontro.
Os sinais de rompimento estavam claros. Para o Irã, as negociações deveriam se limitar a seu programa nuclear. Para os Estados Unidos, as negociações deveriam incluir o alcance dos mísseis balísticos iranianos, a ajuda do Irã ao Hezbollah, no Líbano; ao Hamas, em Gaza, e aos Houthis, no Iêmen, e ao tratamento do seu próprio povo.
Estados Unidos e Irã só chegaram a concordar na troca da sede para as negociações de Istambul, na Turquia, para Mascate, no Sultanato de Omã. O encontro continua agora previsto para esta sexta-feira.
O enviado especial da Casa Branca ao Oriente Médio, Steve Witkoff, vai participar do encontro com o chanceler iraniano Abbas Araqchi, e não voltará do Oriente Médio para Miami, nessa quinta-feira, como foi anunciado.
O Irã pretendia, com a mudança da Turquia para Omã, afastar os negociadores turco, omani, saudita e egípcio que participariam das negociações. E centrar a discussão sobre o programa nuclear em seus próprios termos, não no dos EUA, que incluiriam tolerância zero para enriquecimento de urânio e para o estoque de urânio.
“O problema fundamental que o Irã enfrenta é que aquilo de que as pessoas reclamam nas ruas, este regime não consegue resolver… porque é uma questão econômica”, declarou o secretário de Estado Marco Rubio. “Uma das razões pelas quais o regime iraniano não consegue proporcionar ao povo do Irã a qualidade de vida que ele merece é porque está gastando todo o seu dinheiro e recursos… financiando o terrorismo.”
Rubio não bateu a porta: “Se os iranianos querem nos encontrar, estamos prontos”. E, realmente, a porta foi entreaberta. Mas o prospecto de um ataque dos EUA, com a armada americana em alerta no mar, no ar e por terra em bases militares do Oriente Médio e no Golfo Pérsico, voltou a crescer. Lembrando que Israel espera só um sinal verde para continuar a Guerra de 12 Dias que travou com o Irã em junho passado.
“As diferenças entre os Estados Unidos e o Irã são muito, muito grandes — e intransponíveis”, reagiu uma fonte oficial israelense, na noite de quarta-feira.
Na entrevista à NBC, o repórter comentou que os iranianos deveriam se sentir traídos por Trump, que lhes prometeu que “a ajuda está vindo” quando reprimidos pela polícia, com mais de três mil mortos, e ela está ainda marcando passo. Ao que ele respondeu: “Nós os apoiamos. Aquele país está um caos agora por nossa causa. Nós entramos e destruímos o programa nuclear deles”.
Aproveitando essa declaração de Trump, o repórter fez a pergunta que se impôs: se os EUA “obliteraram” o Irã nuclear com os bombardeios às suas usinas incrustradas na rocha, o que haveria para negociar agora? A resposta: o Irã está tentando reconstruir suas usinas nucleares, o que “nos levará a atacar de novo”. Para alguns analistas, se os EUA atacarem, será depois do Super Bowl, no domingo.
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