
Xi Jinping e Donald Trump em Pequim
REUTERS/Evan Vucci
“Acordos comerciais fantásticos”, “excelentes para nossos dois países”. Essas foram as palavras do presidente americano, Donald Trump, ao deixar Pequim, onde participou de reuniões de cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, no encontro dos dois líderes mais poderosos do mundo. No entanto, o mercado internacional ainda aguarda o detalhamento dessas decisões.
Trump foi recebido com uma grandiosa cerimônia de chefe de Estado em Pequim e declarou que os Estados Unidos e a China terão um futuro promissor juntos. Xi Jinping elogiou a cooperação mutuamente benéfica e afirmou que as empresas norte-americanas terão perspectivas ainda melhores no mercado chinês.
“A trégua comercial está mantida, porém os Estados Unidos continuam pressionando por uma espécie de conselho de comércio que funcionaria, mais ou menos, da seguinte forma: até 30 bilhões de dólares, na primeira fase, seriam isentos de tarifa, porém, de produtos não sensíveis. Tudo o que é mais sensível de tecnologia americana não poderia ser vendido para a China. Está aí o motivo pelo qual estão vários empresários de alta tecnologia, principalmente das big techs, incluindo o próprio Musk", explicou o professor de relações internacionais Leonardo Trevisan.
Os líderes também discutiram a situação no Oriente Médio. Trump afirmou que os Estados Unidos e a China convergem sobre a forma como o conflito deve terminar, destacando que ambos os países são contra o desenvolvimento de armas nucleares pelo Irã. Após o encontro, a China emitiu um comunicado pedindo um cessar-fogo definitivo na região e a garantia de abertura comercial no Estreito de Ormuz.
O tema mais sensível da agenda foi a situação de Taiwan, considerada pelo governo de Pequim uma província rebelde. O presidente Xi Jinping enfatizou a Trump que a ilha é o assunto mais importante nas relações sino-americanas; se conduzido de forma adequada, o tema garantirá a estabilidade global entre as duas potências, caso contrário, há o risco de confronto direto.
Taiwan está no centro dessa discussão geopolítica por ser, desde a Revolução Comunista de 1949, um território autônomo e, atualmente, o principal polo fabricante de chips de última geração do mundo. A produção massiva desse componente eletrônico essencial, somada ao interesse estratégico da indústria bélica americana, torna a ilha uma região crucial para a segurança e a economia dos Estados Unidos.
“A questão de Taiwan é uma das poucas que reúne os cem votos do Senado americano; democratas e republicanos apoiam Taiwan. Seria muito difícil uma concessão desse tipo. Porém, os Estados Unidos querem fazer isso que o Marco Rubio chamou de ‘ambiguidade estratégica’. Os Estados Unidos querem vender armas para Taiwan sem desagradar a China — tarefa impossível. Taiwan comprou dos EUA 11 bilhões em novembro do ano passado e agora queria comprar mais 14 bilhões. A indústria militar americana quer vender, mas os EUA sabem perfeitamente que, se venderem novas armas para Taiwan, adeus acordos comerciais com a China", completou o professor.
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