
Raul Castro durante cerimônia em Cuba em 26 de julho de 2022
REUTERS/Alexandre Meneghini/File Photo
A Justiça dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (20) o indiciamento criminal contra o ex-líder cubano Raúl Castro, de 94 anos, por seu papel na queda de dois aviões civis em 1996. Castro é acusado de conspiração para matar cidadãos americanos, destruição de aeronaves e quatro acusações de homicídio. Outras cinco pessoas também foram acusadas.
O caso refere-se ao episódio de 24 de fevereiro de 1996, quando caças da força aérea de Cuba dispararam mísseis contra duas aeronaves Cessna desarmadas operadas pelo grupo humanitário Brothers to the Rescue, baseado na Flórida. O ataque resultou na morte de quatro pessoas: Carlos Costa, Armando Alejandre Jr., Mario de la Peña e Pablo Morales.
Segundo o indiciamento de 20 páginas, Castro, que na época era ministro das Forças Armadas, "reuniu-se com líderes militares e autorizou-os a usar uma ação decisiva e mortal" contra os aviões. "Todas as ordens para matar emitidas pelos militares cubanos percorreram a cadeia de comando, tendo [Raúl Castro] e Fidel Castro como os responsáveis pela decisão final".
Castro, que é irmão do falecido Fidel Castro, foi presidente de Cuba de 2008 a 2018 e o principal dirigente do Partido Comunista do país de 2011 a 2021.
“Por quase 30 anos as famílias de quatro americanos assassinados esperaram por justiça”, afirmou o procurador-geral interino Todd Blanche durante coletiva em Miami, de acordo com The New York Post. Blanche enfatizou que a ação não é simbólica: “Este não é um indiciamento de fachada. Esperamos que ele [Castro] apareça aqui, por sua própria vontade ou de outra forma”, conforme registrado pela BBC News.

Esta é a primeira vez em cerca de 70 anos que a alta liderança do regime cubano é formalmente acusada pelos EUA por atos de violência que resultaram na morte de americanos. Também foram acusados cinco pilotos de caças cubanos. O governo de Cuba, no entanto, nega irregularidades.
O atual presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, classificou as acusações como uma manobra “política” e “desprovida de qualquer fundamento jurídico”, afirmando à BBC News que o país agiu em “legítima defesa” contra violações de seu espaço aéreo. Os EUA negam que as aeronaves estivessem em território cubano.
A medida intensifica a campanha de pressão do governo de Donald Trump contra Havana. O presidente Trump, ao ser questionado sobre a possibilidade de escalada no conflito, afirmou à BBC News: “O lugar está desmoronando. Estamos aqui para libertar Cuba”.
Embora Cuba não extradite seus cidadãos, autoridades americanas citam o exemplo da recente captura do líder venezuelano Nicolás Maduro como um possível precedente para que os acusados enfrentem o tribunal.
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