
Uma juíza federal dos Estados Unidos decidiu nesta sexta-feira (04/04) que o governo de Donald Trump agiu ilegalmente ao deportar um salvadorenho para o Centro de Confinamento de Terrorismo (Cecot) em El Salvador, e ordenou seu retorno aos Estados Unidos.
Kilmar Armando Abrego Garcia foi enviado ao Cecot, o maior presídio da América Latina, como parte de uma controversa deportação sumária que incluiu também mais de duzentos venezuelanos.
O governo usou uma lei de guerra do século 18 para justificar o envio dos imigrantes, que a Casa Branca argumenta terem relação com organizações criminosas.
A juíza Paula Xinis, de um tribunal de Maryland, considerou que Abrego-Garcia tem direito ao "devido processo legal de acordo com a Constituição e os estatutos de imigração" dos EUA. Em sua opinião, a presença do salvadorenho na prisão "constitui um dano irreparável".
Os advogados do imigrante salvadorenho de 29 anos processaram o serviço americano de Imigração e Fiscalização Aduaneira (ICE) alegando que Abrego-Garcia estava protegido por uma ordem judicial e não deveria ser deportado para El Salvador, onde sua vida corre perigo.
Casa Branca reconhece erro
O ICE e a Casa Branca admitiram que ele foi deportado "devido a um erro administrativo", mas alegam que o homem não poderia mais retornar aos EUA pois agora está sob custódia do governo de El Salvador. Esta foi a primeira admissão formal de erro da administração de Trump desde que ampliou a investida pela deportação de imigrantes.
A família do salvadorenho e membros da organização de defesa dos imigrantes Casa se reuniram para alertar sobre o perigo que o salvadorenho corre em seu país de origem. Abrego-Garcia é casado com uma cidadã americana, o que lhe permite permanecer no país, é pai de um filho de cinco anos e tem dois enteados, todos nascidos nos EUA.
"Perdi meu companheiro, meus filhos perderam o pai, por causa dessa injusta separação familiar", disse Jennifer Vasquez, esposa do deportado.
gq (efe, ap, dw, ots)
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