
Estreito de Ormuz
REUTERS/Dado Ruvic/Illustration/File Photo
Há 46 dias, os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã. O cessar-fogo de duas semanas continua com uma estabilidade frágil, porém — com exceção do Líbano — os ataques no Oriente Médio estão controlados. O bloqueio naval americano aos navios que se dirigem e saem de portos iranianos, utilizando o Estreito de Ormuz, está em vigor; porém, alguns navios estão navegando pelo estreito e se direcionando para o Irã.
A China alertou que o bloqueio imposto por Washington é irresponsável e perigoso. Pequim, assim como a Índia e outros países asiáticos, são os principais consumidores do petróleo escoado pelo Estreito de Ormuz e temem por suas economias. O impasse nas negociações entre Washington e Teerã continua, e o Paquistão tenta costurar um novo encontro presencial no próximo fim de semana em Islamabad, capital do país. A Casa Branca diz que o principal ponto de desacordo é o programa nuclear iraniano.
O presidente Donald Trump quer que o Irã entregue todo o urânio enriquecido a 60%, nível próximo da fabricação de artefatos nucleares. É exigido também que o Irã pare de enriquecer urânio pelos próximos 20 anos. Além do programa nuclear, a livre navegação no Estreito de Ormuz continua em pauta, com o Irã querendo o controle do estreito e a cobrança pela passagem de navios a título de ressarcimento de danos causados pelos bombardeios. Países do Golfo, principalmente, são contra essa exigência.
No Líbano, os bombardeios não param no sul do país. Hoje, representantes do Líbano e de Israel se reúnem em Washington para discutir o fim dos ataques israelenses ao país. Há décadas que libaneses e israelenses não sentam na mesma mesa, mas essa reunião já começa com um problema: o Hezbollah, milícia xiita apoiada pelo Irã, já avisou que não vai acatar nenhum acordo que possa sair dessa reunião. Após os ataques de Israel, o Líbano corre o sério risco de entrar em uma guerra civil. O país tem um equilíbrio de poder frágil, dividido entre cristãos, muçulmanos sunitas e muçulmanos xiitas. Desde 2 de março, quando o Líbano passou a ser atacado, já são mais de 2 mil mortos — entre eles, pelo menos 600 crianças — e um milhão de deslocados no país.
O preço do petróleo abre hoje o dia estável, mas o patamar ainda se encontra muito elevado, em torno de 100 dólares o barril — mais de 40% acima de antes do início dos ataques. Hoje, a Agência Internacional de Energia, que tem sede aqui em Paris, comunicou que, devido à situação no Estreito de Ormuz, o mês de abril será bem pior do que o mês de março, com as economias mundiais tendo que suportar preços elevados de petróleo e gás, além da falta de combustíveis em vários países.
O alerta também vale para o Brasil. O país importa até 30% do diesel consumido e cerca de 15% da gasolina. Outro problema para o nosso país é a nossa dependência de importação de fertilizantes: uma boa parte das importações passa pelo Estreito de Ormuz. Um verdadeiro calcanhar de Aquiles do nosso país. Situação inaceitável, já que temos condições de produzir nossos próprios fertilizantes; todas as condições e matérias-primas necessárias, nós temos.
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