
Novo presidente da Síria, Ahmed al-Shaara
Khalil Ashawi/Reuters
Muitos dos dois mil soldados americanos que estão no nordeste da Síria, desde 2014, começarão a ser retirados, ou reposicionados, nas próximas semanas, abrindo um vácuo que preocupa Israel e que interessa à Turquia, que combate como “terroristas” os 50 mil curdos das Forças Democráticas Sírias (FDS), aliados dos Estados Unidos na região.
Com a queda do ditador Bashar al-Assad, a partida dos iranianos e do Hezbollah, mantidas as bases naval e aérea russas, e Israel bombardeando arsenais do governo deposto e ampliando a zona tampão de sua fronteira no Golã e no Monte Hermon, uma nova situação emergiu na Síria.
Em seu primeiro mandato, o presidente Donald Trump tentou retirar as tropas americanas em duas ocasiões, em 2018 e 2019, mas não conseguiu, por medo de que as milícias apoiadas pelo Irã as substituíssem. Agora, os Estados Unidos apoiaram o acordo entre o presidente sírio Ahmed al-Shaara e o comandante das FDS, Mazloum Abdi, assinado em 10 de março. Até o ano que vem, as forças do governo e a dos curdos treinadas pelos soldados americanos deverão estar integradas.
As tropas americanas foram lutar contra o Estado Islâmico, que ocupava grande parte da Síria e do Iraque, em 2014. Deu apoio aéreo, treinamento e armas para as FDS, atacadas por grupos jihadistas como o Hayat Tahrir al-Sham, na época Al Qaeda, apoiadas pela Turquia, e hoje no poder. Para o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, as FDS estavam ligadas ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), “terroristas”, e tinham que ser combatidas.
Foi assim que os EUA, membro da OTAN, apoiaram as FDS, atacadas pela Turquia, outro membro da OTAN. As forças americanas e seus aliados curdos controlam o leste da Síria, a leste do rio Eufrates, e a região de al-Tanf, ao sul, perto da fronteira entre o Iraque e a Jordânia, onde apoia uma pequena força árabe chamada de Exército Livre Sírio.
A rivalidade turca-israelense pode acabar sob intervenção do presidente Trump, amigo de Netanyahu e de Erdogan. Ele prometeu promover o diálogo entre os dois, que já concluiu uma primeira rodada, em Ancara, na Turquia. Como restam ainda alguns grupos rebeldes na Síria, a situação é considerada muito volátil, com a próxima retirada dos EUA.
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