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EUA propõem nova taxação ao Brasil e mais 58 países por trabalho forçado

Representante comercial norte-americana cita falhas no combate a práticas laborais abusivas; medida atinge outros 58 países em todo o mundo.

Da redação
DA REDAÇÃO

03/06/2026 • 01:27 • Atualizado em 03/06/2026 • 01:42

Lula e Trump ao lado de secretários e assessores durante encontro na Malásia

Lula e Trump ao lado de secretários e assessores durante encontro na Malásia

Evelyn Hockstein/Reuters

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou na madrugada desta terça-feira (3) uma proposta de mais taxações contra o Brasil e outras 58 nações devido a falhas no combate ao trabalho forçado. A iniciativa surge após investigações que apontaram negligência desses países em erradicar práticas laborais abusivas.

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Mais cedo, o USTR concluiu uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil e propôs uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros importados.

A proposta de ação, fundamentada na Seção 301 da Lei de Comércio, visa pressionar governos a adotarem políticas mais rigorosas de fiscalização. Katherine Tai, representante comercial norte-americana, destacou que a medida busca proteger trabalhadores globais e garantir uma competição justa no comércio internacional.

“A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”, disse a embaixadora.

Ao analisar a situação, Katherine Tai afirma que a ação busca proteger os trabalhadores em escala global. “Não toleraremos mais essa disparidade. Alguns parceiros comerciais já tomaram medidas iniciais para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. No entanto, cada um dos nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue o trabalho forçado em nível global”, afirmou.

Entenda a proposta americana

A investigação do USTR concluiu que os 59 países listados falharam sistematicamente em agir contra o trabalho forçado em suas fronteiras. Para os Estados Unidos, essa omissão distorce o mercado global ao permitir que produtos fabricados sob condições desumanas compitam com bens produzidos legalmente.

As sanções propostas podem incluir a imposição de tarifas adicionais de 12,5% sobre produtos importados dessas nações. O Brasil, incluído na lista, agora enfrenta a possibilidade de novas taxas que podem encarecer suas exportações para o mercado norte-americano caso não apresente avanços nas políticas de combate ao trabalho escravo. Não está claro ainda se as penalidades seriam somadas ao tarifaço de 25% sugerido mais cedo pelo USTR por "determinados atos, políticas e práticas" do Brasil que "sobrecarregam e restringem" o comércio americano.

Próximos passos e prazos

Antes da implementação definitiva das taxas, o governo dos Estados Unidos abrirá um período para comentários públicos e consultas bilaterais com as nações afetadas. O objetivo inicial é incentivar que os países eliminem as práticas de trabalho forçado por meio de reformas legislativas e maior rigor punitivo.

Caso os países não demonstrem mudanças significativas em seus marcos regulatórios, as taxas de importação serão aplicadas de forma gradual. Para analistas americanos, a inclusão de um número tão elevado de nações demonstra uma mudança de postura de Washington, que passa a utilizar o acesso ao seu mercado consumidor como ferramenta de pressão por direitos humanos.