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EUA apreendem petroleiro russo em bloqueio ao petróleo venezuelano

Navio M/V Bella 1 foi confiscado com mandado judicial após semanas de monitoramento da Guarda Costeira durante bloqueio ao petróleo venezuelano.

Da redação
DA REDAÇÃO

07/01/2026 • 11:42 • Atualizado em 07/01/2026 • 11:42

Resumo

Apreensão do navio-tanque russo Bella 1 foi realizada pelos Estados Unidos no Atlântico Norte, após perseguição de duas semanas pela Guarda Costeira, por violação das sanções impostas a exportações de petróleo da Venezuela.

Operação envolveu Departamento de Justiça, Departamento de Segurança Interna, Forças Armadas dos EUA e ocorreu próximo à Islândia, com monitoramento de navios russos na região, mas sem confronto direto; Moscou ainda não se pronunciou oficialmente.

Ofensiva norte-americana intensificou bloqueio ao setor petrolífero venezuelano, incluindo interceptação do supertanker M Sophia, enquanto Venezuela e parceiros recorrem a uma “frota sombra” para driblar sanções, mantendo vulnerabilidade a medidas punitivas dos EUA desde 2019.

Os Estados Unidos apreenderam oficialmente o navio-tanque M/V Bella 1, de bandeira russa, no Atlântico Norte por violações às sanções norte-americanas. A ação foi anunciada nesta quarta-feira pelo Departamento de Justiça dos EUA (DOJ) e pelo Departamento de Segurança Interna (DHS), em coordenação com o Departamento de Defesa, segundo informações da agência Reuters.

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De acordo com o comunicado, a apreensão ocorreu com base em um mandado expedido por um tribunal federal dos Estados Unidos. O navio vinha sendo monitorado há semanas pelo USCGC Munro, embarcação da Guarda Costeira norte-americana, após uma perseguição que durou mais de duas semanas pelo Atlântico.

A interceptação faz parte do bloqueio imposto por Washington às exportações de petróleo da Venezuela. Antes da apreensão, o Bella 1 havia conseguido furar o bloqueio marítimo no Caribe e se recusado a permitir uma abordagem da Guarda Costeira dos EUA no mês passado. Posteriormente, a embarcação passou a operar sob bandeira russa e chegou a ser rebatizada como Marinera.

Segundo autoridades norte-americanas ouvidas pela Reuters, a operação ocorreu nas proximidades da Islândia e envolveu a Guarda Costeira e as Forças Armadas dos Estados Unidos. Navios militares russos, incluindo um submarino, estavam na região durante a operação, mas não houve registro de confronto direto entre forças dos dois países. Moscou não se manifestou oficialmente até o momento.

A apreensão acontece poucos dias após uma operação das forças especiais dos Estados Unidos em Caracas, que resultou na captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. Autoridades venezuelanas classificaram a ação como um sequestro e acusaram Washington de tentar se apropriar das maiores reservas de petróleo do mundo. Já o governo norte-americano acusa a Venezuela de violar sanções e de utilizar esquemas ilegais para escoar sua produção.

O Bella 1 é o mais recente navio a ser alvo da ofensiva do governo do presidente Donald Trump contra o setor petrolífero venezuelano. Paralelamente, a Guarda Costeira dos EUA também interceptou outro petroleiro ligado à Venezuela, o supertanker M Sophia, de bandeira panamenha, que está sob sanções e teria deixado águas venezuelanas no início de janeiro transportando petróleo para a China com o transponder desligado.

Desde a imposição das sanções energéticas em 2019, a Venezuela e seus parceiros comerciais passaram a recorrer a uma chamada “frota sombra” ou "frota fantasma", composta por embarcações que ocultam sua localização ou já foram sancionadas por transportar petróleo iraniano ou russo. Analistas do setor avaliam que esses navios seguem vulneráveis a medidas punitivas dos Estados Unidos.

Autoridades americanas afirmam que o Marinera já era alvo de sanções desde 2024 por operar para essa frota. Após as capturas, o Secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, reforçou em uma rede social que "o bloqueio ao petróleo venezuelano sancionado e ilícito permanece em pleno vigor — em qualquer lugar do mundo".

Rússia reage

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou que monitora a situação e classificou a perseguição ao Marinera como "desproporcional". O governo da Venezuela, por sua vez, tem classificado ações semelhantes como atos de "pirataria internacional".

Com informações de agências internacionais.