
Trump e Zelensky falam com imprensa após reunião sobre acordo de paz
REUTERS/Jonathan Ernst
Apolítica de Trump está com uma presença forte na Europa em vários assuntos, seja na área comercial, econômica ou militar. Em Paris, segue a reunião entre representantes ucranianos, americanos e europeus para tentar avançar, mais uma vez, no acordo de paz entre Rússia e Ucrânia que está sendo mediado pelos Estados Unidos.
A União Europeia e o Reino Unido, junto com a Ucrânia, continuam com restrições a alguns pontos da proposta de paz construída pela Casa Branca. Entre as principais divergências estão:
- Os territórios do Donbas anexados pela Rússia;
- O compromisso americano e europeu para a segurança ucraniana no pós-guerra;
- A adesão de Kiev ao bloco europeu.
Ontem, os líderes europeus estiveram reunidos aqui em Paris para tratar da garantia europeia para os acordos de paz. Reino Unido e França estão dispostos a enviar soldados ao solo ucraniano e construir instalações militares por lá. A Alemanha também deve continuar contribuindo com a Ucrânia e não excluiu o envio de soldados.
A Questão da Groenlândia
Mas a reunião, que era para tratar da Ucrânia, teve também outra importante discussão diante das ameaças de Trump: os principais líderes do continente saíram em defesa da Dinamarca e de seu território autônomo, a Groenlândia. Em linhas gerais, falaram que a maior ilha do mundo e o Reino do país nórdico é que devem decidir o destino da Groenlândia.
Apesar de preferir uma solução negociada, Washington não descarta o uso da força para anexar o território aos Estados Unidos; a alegação é de motivo de segurança nacional. O interesse dos Estados Unidos pela Groenlândia não é de hoje: desde 1867, ano em que o país comprou o Alasca da Rússia, políticos americanos já desejavam anexar a Groenlândia. O território é cinco vezes maior que a França, com pouco mais de 50 mil habitantes que vivem basicamente da pesca e de ajuda financeira da Dinamarca.
Só que o território também é rico em recursos naturais, o que inclui terras raras. A Dinamarca e a Europa nunca, de fato, quiseram explorar as riquezas da Groenlândia e nunca tiveram uma política de migração para ocupação do território; a ilha é guardada como uma espécie de santuário natural.
A história da humanidade mostra que civilizações conquistam e dominam civilizações. Apesar de uma intervenção militar parecer hoje um ato de retórica, a pressão política americana pode, sim, levar a algum tipo de concessão aos Estados Unidos na terra gelada — desde a liberação para exploração de minérios ou mesmo o aumento de bases americanas por lá. Tudo ainda vai ser discutido.
No Brasil, nós temos a Amazônia, um território riquíssimo em recursos naturais, com toda a tabela periódica presente na mata verde, além de petróleo. Não faz muito tempo, o presidente francês Emmanuel Macron tratou a Amazônia como uma questão de interesse global (lembrando que a França tem uma grande fronteira com o Brasil, que é a Guiana Francesa).
O Estado brasileiro vem negligenciando o desenvolvimento da região. ONGs, financiadas pelo poder estrangeiro, impedem o avanço econômico da área. O narcotráfico tem avançado e o Estado não protege a população local, que carece de saúde, educação, saneamento e emprego — enfim, de dignidade. Importantes projetos não avançam: a Ferrogrão está parada; a exploração de petróleo na margem equatorial engatinha; o potássio, tão importante para o nosso agronegócio, teve sua extração proibida; nossa biodiversidade está sendo deixada de lado e há demarcações de enormes terras indígenas para impedir qualquer avanço econômico.
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