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Ex-embaixador afirma que suspensão de tarifas não tem a ver com negociação Brasil-EUA

Ele ressalta que o cenário ideal para o Brasil seria a inclusão dos produtos em uma lista de exceção, o que zeraria as tarifas

Da redação
DA REDAÇÃO

15/11/2025 • 16:44 • Atualizado em 15/11/2025 • 16:44

Resumo

Decisão dos Estados Unidos reduziu em 10% as tarifas gerais de importação sobre produtos como carne, café e laranja, sendo classificada como "discriminatória" pelo ex-embaixador Rubens Barbosa, que destacou que a medida não resulta de negociação bilateral com o Brasil.

Análise do especialista aponta que a redução tarifária é unilateral e motivada por fatores políticos internos dos EUA, visando conter a inflação e agradar o eleitorado, enquanto mantém o Brasil em desvantagem competitiva por não incluir seus produtos na lista de exceção tarifária.

Cenário atual das negociações revela que a tarifa específica de 40% sobre produtos brasileiros permanece inalterada, favorecendo outros países exportadores e deixando o Brasil aguardando uma resposta dos EUA a propostas nas áreas comercial, regulação de Big Techs e investigação da Seção 301.

A decisão do governo dos Estados Unidos de reduzir em 10% as tarifas gerais de importação sobre produtos como café, carne e laranja foi classificada como "discriminatória" contra o Brasil pelo ex-embaixador Rubens Barbosa.

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Em entrevista exclusiva ao Jornal BandNews FM neste sábado, ele analisou a medida e alertou que, apesar de parecer um alívio, ela mantém o Brasil em desvantagem competitiva.

Barbosa, que já chefiou as embaixadas brasileiras em Londres e Washington, foi enfático ao afirmar que a ação não é fruto de um diálogo bilateral. "Essa foi uma decisão americana, não teve nada que ver com a negociação com o Brasil", declarou.

Decisão unilateral e motivação política

Para o especialista, a redução tarifária é uma medida pragmática e unilateral do governo americano, visando conter a inflação interna e amenizar o impacto no bolso do consumidor. O objetivo, segundo ele, é puramente político.

"A decisão interessava ao presidente [dos EUA] e à equipe de governo americana pelo impacto que teve junto ao eleitorado", explicou Barbosa, contextualizando que a alta nos preços de produtos básicos tem gerado forte pressão popular e pode influenciar as próximas eleições.

Ele ressalta que o cenário ideal para o Brasil seria a inclusão dos produtos em uma lista de exceção, o que zeraria as tarifas.

"Para o Brasil, o melhor teria sido se eles colocassem [os produtos] como lista de exceção, porque aí reduziria a zero as tarifas. Mas eles não fizeram isso", pontuou.

Brasil em desvantagem

O ponto central da crítica de Rubens Barbosa é que, enquanto a tarifa geral foi reduzida, a taxa específica de 40% aplicada sobre determinados produtos brasileiros permanece intacta. Isso, na prática, cria um cenário de competição desigual.

"É uma medida discriminatória contra o Brasil, porque os outros países não têm 40% de tarifas", afirmou o ex-embaixador. Ele explicou que, com a redução geral, outros países exportadores dos mesmos produtos que o Brasil se tornam mais competitivos no mercado americano, enquanto os produtores brasileiros continuam sobretaxados.

O futuro das negociações Brasil-EUA

Questionado sobre o andamento das negociações entre os dois países, Rubens Barbosa esclareceu que ainda não há um processo de negociação em curso. O que existe, no momento, é uma expectativa pela resposta dos EUA às propostas encaminhadas pelo governo brasileiro em três frentes principais: a área comercial (tarifas), a regulação das Big Techs e uma investigação no âmbito da Seção 301 da lei de comércio americana.

"Não houve nenhuma negociação até aqui", frisou. "O Brasil não pode fazer nada, tem que aguardar a abertura das negociações".