
Alexandre Ramagem
Lula Marques/Agência Brasil
Condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da trama golpista e foragido da Justiça brasileira, o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e deputado federal cassado Alexandre Ramagem afirmou neste domingo (5), em entrevista à CNN Brasil no Estádio de Nova York/Nova Jersey, nos Estados Unidos, que uma eventual extradição sua para o Brasil "não vai acontecer".
Na conversa com a emissora, Ramagem disse que as autoridades brasileiras não conseguirão trazê-lo de volta ao país por meio de um processo formal de extradição e que se considera alvo de perseguição política.
O ex-diretor da Abin acusou o governo brasileiro de tentar removê-lo do território norte-americano por meio de uma deportação irregular, à margem dos mecanismos oficiais de cooperação jurídica.
Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, eles tentaram me deportar clandestinamente
Ligação com eventual governo Flávio Bolsonaro
Ramagem vinculou um possível retorno ao país a uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República.
Com essa luta, vamos virar 2027, Flávio Bolsonaro, e a gente volta pro Brasil
Ele afirmou que aguarda a análise de um pedido de asilo político apresentado ao governo dos Estados Unidos e disse confiar na decisão das autoridades norte-americanas sobre sua situação migratória.
Condenação no STF e acusações da PGR
Em decisão recente, o STF condenou Ramagem a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão em regime inicial fechado por sua participação na trama golpista que teria sido liderada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Os ministros o enquadraram nos crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado, em meio às investigações sobre ataques às instituições.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), Ramagem preparou a narrativa difundida por Bolsonaro sobre supostas fraudes nas urnas eletrônicas e comandou espionagens ilegais baseadas em interesses particulares do então presidente, em desvio da estrutura oficial de inteligência.
Na denúncia, o Ministério Público o apontou como principal articulador da retórica de ataque às urnas e ao sistema democrático, usada para sustentar a tentativa de ruptura institucional investigada pelo Supremo.
Fuga do Brasil e abordagem pelo serviço de imigração dos EUA
Mesmo proibido de deixar o país por decisão judicial, Ramagem saiu do Brasil em setembro do ano passado.
De acordo com as investigações, ele viajou até Boa Vista, em Roraima, e seguiu por terra até a fronteira com a Venezuela ou a Guiana, antes de embarcar para os Estados Unidos.
Em abril deste ano, o ex-diretor da Abin foi detido pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos EUA (ICE) em Orlando, após ser abordado em uma infração de trânsito, por estar em situação migratória irregular.
Dois dias depois, as autoridades norte-americanas o colocaram em liberdade sem pagamento de fiança, enquanto analisam seu pedido de asilo político e a regularização de sua permanência no país.
Afastamento de delegado e versão da Polícia Federal
A prisão de Ramagem nos Estados Unidos resultou no afastamento do delegado Marcelo Ivo, que atuava como oficial de ligação da Polícia Federal em Miami.
O governo norte-americano determinou a saída do policial de seu território ao alegar que ele tentou manipular o sistema de imigração, contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas aos Estados Unidos.
Em nota, a Polícia Federal informou que a prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a corporação e autoridades norte-americanas, sem detalhar os procedimentos adotados na atuação conjunta.
Perda de mandato na Câmara dos Deputados
Além da condenação criminal no STF, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou o mandato de Ramagem em dezembro do ano passado, ao registrar faltas sucessivas motivadas pela sua fuga para o exterior.
A mesma decisão atingiu o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que também reside nos Estados Unidos e deixou de comparecer às sessões do Parlamento brasileiro.
Com as cassações, os suplentes assumiram as vagas na bancada do PL na Câmara, enquanto o Supremo segue com os desdobramentos judiciais da trama golpista e das ações contra seus principais investigados.
Com informações do Estadão Conteúdo.
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