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Faculdades de medicina ruins e Banco Master se parecem

As investigações sobre o caso do Banco Master e a relação com as faculdades de medicina que foram mal avalidas pelo ENAME, recentemente, são os detaques do comentário de Eduardo Oinegue, nos Bastidores da Notícia

Por Redação
REDAÇÃO

27/01/2026 • 22:20 • Atualizado em 27/01/2026 • 22:20

Eduardo Oinegue

Você já parou para pensar que o Banco Master e a existência de faculdades de medicina com notas baixas são sintomas da mesma doença? Que o Master existiu e as faculdades ruins resistem porque a gente tem um sistema bichado?

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Que facilita a vida de gente como Daniel Vorcaro e depois não fiscaliza direito o negócio que ele montou? Que facilita a abertura de faculdades que cobram uma fortuna dos alunos — a gente tá falando de mensalidades de até 15 mil reais — e aí depois não fiscaliza o funcionamento dessas faculdades?

Aí o dono do banco fica andando por aí de jatinho, aí o dono da faculdade fica andando por aí de jatinho. Aí o dono do banco fica bilionário, dá uma banana pra sociedade, o dono da faculdade fica bilionário também, dá uma banana pra sociedade com essas notas baixas. Aí o dono do banco quebra, deixa um buraco de 50 bilhões de reais, o dono da faculdade não quebra — até porque cobrando 15 mil reais por mês é difícil quebrar, não vai quebrar nunca — só que ele deixa um buraco pedagógico, um buraco na formação de milhares de médicos. Aí de novo em comum: o banqueiro e o médico mandam a conta pra gente.

Então o Banco Master e as faculdades de medicina ruins são coisas parecidas: fábricas de títulos podres. Título de banco, título de médico. É o estado deixando funcionar e não acompanhando direito. No caso das faculdades, só agora a gente escuta pela primeira vez que vai ter um acompanhamento anual das notas das faculdades de medicina. Isso depois que os governos, principalmente do PT, fizeram explodir o número de faculdades e o número de empresários de ensino que ficaram riquíssimos, inclusive com apoio de programas de financiamento estudantil tipo o Fies.

No caso do Master, só agora a gente ficou sabendo do rolo que era esse banco e da trama política que esse tal de Vorcaro teceu, contratando mulher de ministro do Supremo, com o parente dele negociando com parente de outro ministro do Supremo, com consultoria de escritório de ministro da Justiça, consultoria de ex-ministro da Fazenda, se relacionando com líderes do governo, tendo parceria com líderes da oposição, se envolvendo com governadores, senadores. É gente poderosa para tudo que é lado.

Dá para dizer que isso aconteceu porque o estado é fraco? Não, dá para dizer que isso aconteceu porque o estado é seletivo. A Receita, por exemplo, não brinca em serviço, fiscaliza. Deixa de pagar um boleto pra você ver. Já as áreas do governo menos rentáveis, a fragilidade é visível. Basta dizer que Daniel Vorcaro montou o Banco Master comprando meia dúzia de bancos — ou seja, ele foi meia dúzia de vezes ao Banco Central, foi submetido a um crivo e passou.

Você acha que tava tudo bem e as coisas só apodreceram depois, ou você acha que tava tudo podre e o Banco Central não viu?

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