
Líderes reunidos durante lançamento do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), à margem da COP30, em Belém
REUTERS/Adriano Machado
A capital paraense abre nesta sexta-feira (7) o dia final da Cúpula de Líderes que antecede a COP30, evento que se inicia na próxima segunda-feira (10) em Belém, no Pará. A agenda desta etapa se concentra nos desafios decorrentes da assinatura, há dez anos, do Acordo de Paris, marco internacional que fixou o objetivo de limitar o aquecimento global a 1,5 °C.
Líderes de diversos países conversam sobre onde se está — e onde ainda se precisa chegar — em termos de compromissos climáticos. No centro do debate está o fato de que muitas nações ainda não entregaram suas novas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), segundo alertou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que também defendeu o multilateralismo como caminho para a ação climática.
O papel do Acordo de Paris
Em 2015, cerca de 190 países se reuniram em Paris para aprovar o Acordo de Paris, cuja proposta era limitar o aquecimento global bem abaixo de 2 °C, com esforços para 1,5 °C.
O tratado não impõe obrigações legais diretas para os países reduzirem emissões; cada país define suas metas voluntárias e os meios para alcançá-las. Para especialistas, o acordo foi essencial para mobilizar reduções de emissões, mas exige agora um salto significativo em ambição e implementação.
O que está em jogo em Belém
A COP30 é considerada um momento crítico para reavaliar onde estamos dez anos após o Acordo de Paris — a “Paris +10”. O Brasil, como país‐sede, assume papel de protagonismo nas negociações climáticas globais. A entrega de novas NDCs é um dos principais desafios: vários países ainda não apresentaram versões atualizadas, o que compromete a meta coletiva de 1,5 °C. O contexto geopolítico e a credibilidade dos processos multilaterais são fatores que dificultam o avanço das negociações.
O discurso de Lula
No evento desta quinta, Lula destacou que o ano de 2025 representa um marco - tanto pelos 80 anos da fundação da Organização das Nações Unidas (ONU) quanto pelos 10 anos do Acordo de Paris — e afirmou que “não podemos abandonar os objetivos” do pacto climático.
Na ocasião, o presidente cobrou países que ainda não apresentaram suas novas contribuições e ressaltou que a estrutura multilateral é indispensável para enfrentar a crise climática.
Desafios que se revelam
A realidade é que o avanço tem sido lento e as metas de muitos países ainda aquém do exigido para manter a trajetória de 1,5 °C. Além disso, fatores como a desistência de importantes emissores do pacto ou o “compromisso frouxo” de alguns países dificultam o cenário.
Em Belém, portanto, a expectativa é alta: a COP30 deverá dar o tom da próxima década de ação climática e estabelecer uma agenda mais objetiva de implementação.
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