
Marco Aurélio
Reprodução/ Instagram @marcoaurelio
A família do estudante de medicina Marco Aurélio Acosta, morto por policiais militares durante uma abordagem em um hotel de São Paulo, acompanha com expectativa a audiência de instrução marcada para esta quinta-feira (9), considerada um momento-chave no processo que apura o homicídio do jovem.
Familiares acreditam que a sessão poderá esclarecer pontos cruciais do caso, especialmente as falhas no socorro e a conduta dos policiais militares Guilherme Augusto Macedo e Bruno Carvalho do Prado, acusados pelo crime.
A audiência terá dois momentos centrais. O primeiro será o depoimento de um bombeiro militar que participou do atendimento à vítima. A acusação espera que o testemunho técnico ajude a explicar a demora no socorro e a decisão de levar Marco Aurélio para um hospital a mais de cinco quilômetros de distância, mesmo havendo uma unidade hospitalar a menos de 50 metros do local do crime.
Em seguida, os policiais acusados serão interrogados pela primeira vez. O Ministério Público de São Paulo e os advogados da família consideram este um ponto de virada, já que os réus serão confrontados com gravações de suas câmeras corporais, que, segundo a acusação, contradizem a versão inicial e revelam a brutalidade da abordagem que resultou na morte do jovem desarmado.
“Nossa expectativa é que esta audiência traga luz sobre toda a cadeia de eventos: desde a abordagem injustificada e violenta até as falhas gritantes no socorro, que podem ter custado a vida do nosso filho”, afirmou a família em nota.
“Esperamos que, ao serem confrontados com as evidências, os acusados não tenham outra alternativa senão responder pelo que fizeram. Cada passo nos aproxima do Tribunal do Júri, onde a sociedade poderá fazer justiça por Marco Aurélio”, completou.
A família também relata um episódio que simboliza a dor e a falta de respostas desde o início: ao chegar ao local do crime, minutos após a ambulância ter deixado o local com Marco Aurélio, os primeiros a quem o pai pediu informações sobre o que havia acontecido foram justamente os dois policiais acusados de assassinato. “Eles nada disseram. Até hoje, não soubemos o que realmente aconteceu naquele momento”, desabafa a família.
Os representantes legais reforçam que a audiência poderá ser determinante para a pronúncia dos réus e para o avanço do caso rumo ao julgamento popular.
