
trabalho
Marcello Casal JrAgência Brasil
A proposta de emenda à Constituição que visa o fim da escala de trabalho 6 por 1 (seis dias de trabalho para um de descanso) avançou para o debate no Congresso Nacional, provocando reações imediatas em diversos setores da economia.
Especialistas e representantes da indústria defendem que a discussão leve em conta as especificidades de cada área de atividade, alertando para os riscos de uma imposição generalizada via mudança constitucional.
Impactos distintos e a questão da saúde
Uma das principais críticas à proposta é a tentativa de tratar de forma igualitária setores com necessidades operacionais completamente distintas. No setor de saúde, por exemplo, a jornada de 12 por 36 horas é considerada essencial para garantir a continuidade da assistência.
Para o especialista em relações trabalhistas José Pastore, a mudança não deveria ser feita de forma global na Constituição. Ele defende que cada setor realize seus próprios acertos por meio de negociação entre empregados e empregadores.
"Não é possível fazer o 5 por 2 em hospitais, pois haveria desfalques em dias críticos, o que não pode acontecer. Por imposição, é problemático", afirma Pastore.
Produtividade e custos operacionais
O debate sobre a redução da jornada de trabalho esbarra em um gargalo histórico do país: a baixa produtividade média do trabalhador brasileiro. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o Brasil está atrás de nações como França, Canadá, Itália e Estados Unidos nesse quesito.
Em entrevista à Rádio Bandnews FM, o presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, ressaltou que a produtividade está diretamente ligada ao investimento em tecnologia. Ele citou o agronegócio como exemplo de setor que conseguiu evoluir graças à inovação, mas alertou que a indústria brasileira ainda enfrenta o chamado "Custo Brasil".
"Você não pode tratar desiguais de forma igual", pontuou o dirigente.
As projeções financeiras sobre a mudança variam conforme a fonte:
- IPEA: Um estudo do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas aponta que o fim da escala 6x1 elevaria o custo médio do trabalho em 7,8%, impacto que poderia ser parcialmente absorvido pelas empresas.
- Setor Industrial: A previsão da indústria é bem mais pessimista, estimando um aumento de até 20% nos custos de produção.
O ex-ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, pondera que, embora a redução da jornada seja uma tendência global desde o fim do século XIX, ela sempre ocorreu de forma gradual e atrelada a ganhos reais de produtividade. Segundo o economista, é fundamental avaliar as consequências de uma mudança brusca para evitar desequilíbrios na economia, reforçando que sem o aumento da eficiência, o custo final acaba sendo repassado à sociedade.
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