
Bolivianos vão hoje às urnas
Marco Bello/Reuters
O segundo turno das eleições presidenciais na Bolívia tem dois candidatos de direita e interrompeduas décadas de governo contínuo da esquerda no país. O senador Rodrigo Paz, do Partido Democrático Cristão (PDC) obteve 32% dos votos no primeiro turno e disputa agora a eleição com o ex-presidente Jorge “Tuto” Quiroga, da coalizão Alianza Libre. Ele obteve 26% dos votos válidos em agosto. O presidente eleito tomará posse no próximo dia 8 de novembro.
O sistema de votação utilizado neste domingo será novo para evitar fraudes ou especulações de fraude, como ocorreu em 2019. As folhas de apuração dos votos serão fotografadas nas seções eleitorais e transmitidas diretamente aos centros de contagem. Observadores internacionais da União Europeia e da Organização dos Estados Americanos acompanharão o processo.
As urnas abriram às 8h (horário local) e fecharão às 16h. O tribunal pretende publicar 80% dos resultados preliminares ainda neste domingo (19). Os resultados oficiais devem ser divulgados em até sete dias.
Os dois candidatos de direita
Com trajetórias distintas, os dois candidatos defendem propostas de caráter liberal na economia.
Rodrigo Paz, de 58 anos, é filho do ex-presidente Jaime Paz Zamora e da espanhola Carmen Pereira. Ele nasceu na Espanha, onde a família viveu exilada durante a ditadura militar boliviana (1964-1982). Seu pai foi o único sobrevivente de um trágico acidente aéreo em 1980, ficando com queimaduras no corpo e no rosto.
Jorge Tuto Quiroga tem 65 anos,e tenta se reeleger presidente da Bolívia 23 anos depois. Ele e se apresenta como um homem com experiência técnica e política capaz de recuperar a economia e enterrar, de forma definitiva, os anos de socialismo na Bolívia. Nascido em Cochabamba, o candidato da aliança Libre recebeu o apelido de seu pai, Jorge Tuto Quiroga Luizaga. Tuto ocupou um cargo técnico no Ministério das Relações Exteriores de Paz Zamora, foi subsecretário do Ministério do Planejamento e ministro das Finanças. Nas eleições de 2005, competiu à presidência da Bolívia, mas perdeu para Morales, na primeira vitória eleitoral que permitiu ao MAS chegar ao poder.
Propostas presidenciais
Paz propõe descentralizar os recursos públicos com um modelo econômico no qual o governo federal administre apenas metade de todos os fundos públicos e a outra metade fique com os governos regionais. Quiroga se inclina para ideias mais conservadoras, apesar de apresentar algumas posições semelhantes. Ele promete cortar os gastos públicos de forma mais radical, reformar o Judiciário e buscar apoio do Fundo Monetário Internacional. Também defende maior abertura da economia ao setor privado, a privatização de estatais deficitárias e o fortalecimento das relações com os Estados Unidos e a China.
A derrota do partido Movimiento al Socialismo (MAS), que estava no poder desde 2006, deveu-se, entre outros fatores, a uma ruptura entre o presidente Luis Arce e o ex-presidente Evo Morales, que foi impedido de concorrer e enfrenta mandados de prisão.
Antes do primeiro turno das eleições, em agosto, Morales pediu a seus apoiadores que anulassem o voto e desqualificou as eleições, afirmando que o voto nulo seria a principal opção, e que isso seria uma demonstração de que a eleição não possui legitimidade.
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