
Fumaça em Teerã, no Irã, após ataque israelense nesta terça-feira (17)
Redes sociais via Reuters
A retaliação do Irã ao bombardeio dos EUA no domingo foi um pedido de cessar-fogo. Antes de disparar 14 mísseis contra a maior base americana no Oriente Médio, no Catar, nesta segunda-feira, os iranianos avisaram aos americanos, catarianos e até aos israelenses. Ninguém morreu ou se feriu, e 13 dos 14 mísseis foram interceptados — o que escapou, ileso, estava mal direcionado, sem alvo a acertar.
A mensagem na retaliação foi entendida. Às 7 horas de terça-feira no Oriente Médio, 1h da manhã no Brasil, o Irã e Israel param de se atacar. Em 24 horas, se o cessar-fogo for mantido, será o fim da guerra.
“Partindo do princípio de que tudo funcionará como deve, o que acontecerá, gostaria de parabenizar ambos os países, Israel e Irã, por terem a Resistência, Coragem e Inteligência para encerrar o que deve ser chamado de A GUERRA DE 12 DIAS” — Trump postou em sua rede Truth Social.
Mas a guerra continuou nas horas que faltam para o início da trégua. A aviação israelense atacou um distrito de Teerã, avisando aos moradores, em persa, que deveriam se afastar da vizinhança de instalações militares. E o Irã mirou seus mísseis para Ramat Gan, subúrbio de Tel-Aviv, avisando os moradores, em hebraico, que seriam atacados.
Tanta cortesia em meio à guerra agradou a Trump, que quer ganhar o Prêmio Nobel da Paz deste ano. “Talvez o Irã possa agora prosseguir para a Paz e Harmonia na Região, e eu encorajarei com entusiasmo Israel a fazer o mesmo”. Aí ele acrescentou:
“PARABÉNS, MUNDO. É HORA DA PAZ”.
Israel aproveitou um dos voos sobre Teerã para destruir o relógio que marcava a hora de sua extinção para 2040. Um painel com mísseis iranianos também foi arrasado. E a porta do presídio dos presos políticos, bombardeada.
O cessar-fogo foi discutido, primeiro, entre o presidente Trump e o emir do Catar, com a informação de que Israel já o tinha aprovado. Então, o primeiro-ministro catariano obteve o acordo iraniano com um telefonema para Teerã. O anúncio acabou sendo feito em meio às explosões dos ataques que estavam em desenvolvimento. Mas os detalhes não foram ainda divulgados.
O fim da guerra é um alívio para Israel, paralisado nos últimos 12 dias, e a salvação do regime do aiatolá Khamenei, não se sabe por quanto tempo. O Irã investiu na produção de bombas nucleares e em mísseis com a economia afetada pelas sanções lideradas pelos EUA.
Sob ataque de Israel, o povo se uniu em torno da ditadura teocrática, desprezando o incentivo israelense para derrubá-la. O futuro é incerto: mais de 20 chefes militares e top cientistas nucleares foram assassinados, não há mais o Hezbollah, nem o Hamas e nem o governo sírio amigo de Bashar Assad, derrubado, enquanto os rebeldes Houthis, no Iêmen, mantiveram o silêncio a cerca de 2 mil quilômetros de distância. Não atacaram navios nem fecharam o estreito de Ormuz.

