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Fim da reunião entre Irã e EUA: promessa de um novo encontro

Para as delegações do Irã e dos EUA que a percorreram para um encontro de alto risco, nesta sexta-feira, havia uma guerra pendendo no horizonte

Da redação
DA REDAÇÃO

06/02/2026 • 11:41 • Atualizado em 06/02/2026 • 11:41

Moises Rabinovici
Irã põe em órbita três satélites simultaneamente pela 1ª vez

Irã põe em órbita três satélites simultaneamente pela 1ª vez

REUTERS/Akhtar Soomro

Resumo

O encontro indireto entre delegações do Irã e dos Estados Unidos em Mascate, mediado por Omã, teve início com atraso, durou uma hora e meia, e concentrou-se na preparação para futuras negociações sobre o programa nuclear iraniano, sem apreciação do cenário local ou avanço imediato.

A conversa envolveu o chanceler iraniano Abbas Araghchi, os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, e o ministro omani Badr al-Busaidi, com ausência de diálogo direto e presença de tensões após a recente Guerra de 12 Dias entre Irã e Israel, além de pressões públicas e demonstrações de força militar de ambos os lados.

O Irã exigiu discutir apenas seu programa nuclear e o fim das sanções americanas, recusando outras pautas e ameaçando desestabilizar a região caso atacado, enquanto os Estados Unidos defendem condições mais rígidas e ampliam a agenda para temas como direitos humanos e apoio iraniano a grupos armados, sem previsão de novo encontro imediato.

A avenida Mutrah de Mascate exibe três quilômetros de vistas deslumbrantes do mar do Golfo de Omã. Mas para as delegações do Irã e dos EUA que a percorreram para um encontro de alto risco, nesta sexta-feira, havia uma guerra pendendo no horizonte. E iranianos e estadunidenses saíram sem apreciar o pôr-do-sol.

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O encontro, que estava marcado para às 10 horas (três da madrugada no Brasil), começou com uma hora de atraso. E a conversa entre o chanceler do Irã Abbas Araghchi e os enviados da Casa Branca Steve Witkoff e Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, foi indireta, mediada pelo ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr al-Busaidi.

Durou hora e meia. A conversa deveria ser cara a cara, como anunciada. E na Turquia. E com a presença dos embaixadores turco, omani, saudita e egípcio. E só sobre um tema, o programa nuclear iraniano. As mudanças afetaram também a agenda:

“As consultas se concentraram em preparar as circunstâncias adequadas para a retomada das negociações diplomáticas e técnicas, assegurando a importância dessas negociações, tendo em vista a determinação das partes em garantir o sucesso na conquista de segurança e estabilidade sustentáveis”, informou um comunicado de Omã.

Desfecho do primeiro encontro

A delegação americana partiu primeiro do palácio na antiga Muscat (Mascate) pela Corniche (avenida) Mutrah. A iraniana, que antes foi e voltou, saiu em seguida. Não se informou, imediatamente, se haveria uma nova reunião até o final do dia. Mais tarde, os americanos confirmaram que não haveria, talvez em mais alguns dias. Os chanceleres Araghchi e Busaidi se reuniram antes das negociações indiretas; e Witkoff e Busaidi depois.

A diplomacia de "olhos abertos"

“O Irã inicia a diplomacia com os olhos bem abertos e uma memória sólida do ano passado. Nos envolvemos de boa fé e defendemos firmemente nossos direitos”, escreveu Araghchi no X, nesta sexta-feira, numa alusão à Guerra de 12 Dias, travada em junho com Israel e finalizada com um bombardeio de superbombas dos Estados Unidos. “Os compromissos precisam ser honrados. Igualdade de condições, respeito mútuo e interesse mútuo não são retórica — são imprescindíveis e os pilares de um acordo duradouro.”

Na véspera, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, pôs mais pressão para o encontro em Omã: “Enquanto essas negociações estiverem em andamento, gostaria de lembrar ao regime iraniano que o presidente tem muitas opções à sua disposição, além da diplomacia, como comandante-em-chefe das forças armadas mais poderosas da história do mundo.”

Poderio bélico como peça de barganha

O Irã não ficou atrás. A TV estatal mostrou o mais avançado míssil de longo-alcance iraniano, o Khorramshahr 4, já nas mãos da Guarda Revolucionária, em túneis subterrâneos. Na Guerra de 12 Dias, os mísseis disparados contra Israel mataram 32 pessoas e deixaram alguns prédios em ruínas. Por isso, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pressionou o secretário de Estado Marco Rubio a priorizar o limite de 500 km para os mísseis que alcançam mil quilômetros, penetrando em Israel.

Divergências de agenda

O Irã deixou claro que só quer discutir o seu programa nuclear – e não nos termos impostos pelos Estados Unidos: zero refinamento de urânio e entrega de cerca de 400 quilos de urânio refinado a 60%, quase o necessário para construir armas atômicas, que requerem 90%. A República Islâmica quer tocar seu programa nuclear civil e não aceita ingerência externa.

A agenda, para o presidente Trump, ainda conteria o tratamento do Irã a seu próprio povo, depois da repressão violenta que matou mais de 3 mil manifestantes que protestaram contra a economia e o regime, e a ajuda iraniana às milícias do Oriente Médio – os Houthis, no Iêmen; o Hezbollah, no Líbano; e o Hamas, em Gaza.

O Irã quer trocar seu programa nuclear pelo fim das sanções econômicas dos Estados Unidos, o que traria alívio à pressão interna dos protestos pelo custo de vida. E recusa firmemente outras exigências ameaçando desestabilizar o Oriente Médio, se atacado.

Perspectivas futuras

O especialista israelense em Irã, Danny Citrinowicz, acertou ao prever resultados para a reunião de Omã. Deu o segundo cenário dos três que apresentou:

“O primeiro cenário: amanhã (hoje) será o primeiro e último encontro. O segundo: hoje será o primeiro encontro e as partes concordam em se reunir novamente. O terceiro: hoje será divulgado um comunicado informando que as partes concordaram em acalmar a situação e avançar rumo a um acordo”.çar rumo a um acordo”.

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